XXIV
Não digas: Este que
me deu corpo é meu Pai.
Esta que me deu
corpo é minha Mãe.
Muito mais teu Pai
e tua Mãe são os que fizeram
Em espírito.
E esses foram sem número.
Sem nome.
De todos os tempos.
Deixaram o rastro
pelos caminhos de hoje.
Todos os que já
viveram.
E andam fazendo-te dia a dia.
Os de hoje, os de
amanhã;
E os homens, e as
coisas todas silenciosas.
A tua extensão
prolonga-se em todos os sentidos
O teu mundo não tem
pólos.
E tu és o próprio
mundo.
(MEIRELES, Cecília;
Cânticos; 3ª ed.; São Paulo: Ed Moderna, 2003, pg. 57)