COM QUALQUER PEDRAS
QUE ERGAS
Com qualquer pedra que ergas –
desnudas
os que precisam da
proteção de pedras:
nus,
eles renovam então o
seu enlace.
Com qualquer árvore que abatas –
preparas
a cama, em que
as almas se reacumulam,
como se não tremesse
até mesmo este
éon.
Com qualquer palavra que digas –
aprovas
a podridão.
(Celan, Paul;
Hermetismo e Hermenêutica: Poemas II; Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; São
Paulo: Instituto Hans Staden, 1985, pg. 51)