INVERNÁCULO
(3)
Esta
língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quando
o sentido caminha,
a palavra permanece.
Quem
sabe mal digo mentiras,
vai ver que só minto
verdades.
Assim
me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto,
mal sabe.
Esta
não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem
palavra.
O
dialeto que se usa
à margem esquerda da
frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro,
eu, quase.
(LEMINSKI, Paulo; O ex-estranho; 3 ed.; São Paulo: Iluminuras, 2009, pg. 21)