Quando queremos conhecer as propriedades da água, apenas pela análise de uma quantidade limitada dela podemos compreender toda a água que existe no universo. Caso estudemos um litro de água puríssima, teremos estudado toda água. Assim se dá nos meios homogêneos e uniformes: uma pequena amostra nos permite qualificar e definir o todo.
Mas se o objeto de estudo é o oceano e tudo que nele há, nem mesmo se passarmos nossa vida inteira estudando uma faixa do litoral (uma praia), com décadas e décadas de levantamento de dados e informações, estudo, análise, teorização, etc, nos permitirá entender a vastidão de todos os mares e as vidas ali contidas, nem mesmo a água que ali se encontra.
Poderemos ganhar o Prêmio Nobel, sermos ultra-especialistas, conhecer todos os detalhes físico-químico-biológicos e fenômenos daquele ambiente, mesmo assim não poderemos extrapolar e ditar leis gerais do oceano, nem mesmos do litoral.
Não há como compararmos, ou extrapolarmos conceitos obtidos no litoral de Fernando de Noronha (Nordeste do Brasil), com as praias da Patagônia (litoral extremo sul da América do Sul). Seus ecossistemas são incompatíveis, em função do clima, das marés, relevo, formações geológicas, que fatalmente influenciarão a flora e a fauna, tanto marinha quanto terrestre.
Contudo as leis fundamentais da física, da química e da biologia, que suportam estes ecossistemas são a mesmas, ainda que não as conheçamos todas por completo; estamos falando das leis básicas e não das tecnologias da natureza que produzem estes ecossistemas. São ecossistemas distintos que são suportados pelo mesmo conjunto de leis elementares.
Caso seja de nosso interesse o entendimento da vida no Planeta Terra, então devemos conhecer as leis que descrevem a interatividade dos diversos ecossistemas. Como por exemplo, devemos entender como o desmatamento da Amazônia afeta a vida no planeta; como aquele bolsão verde, não somente suporta vida em si, mas influencia na temperatura, umidade, clima, enfim no equilíbrio planetário.
A vida na Terra é um grande quebra-cabeça, onde cada pecinha é um quebra-cabeça gigantesco e que se insere num mosaico ainda maior, que se altera com o tempo.
A vida de cada um de nós é um ecossistema particular, que de alguma forma se relaciona com outros ecossistemas (vidas de outras pessoas). Compreender plenamente e completamente (como se fosse possível) o meu ecossistema, não me qualifica a exportar solução para nenhum outro ecossistema vizinho ou influenciável.
O fato de que estabelecemos uma tecnologia, uma metodologia e conseguimos obter alguns resultados promissores, não significa que finalmente temos em mãos uma regra sólida e exportável, que podemos aplicar na vida de qualquer outra pessoa, produzindo os mesmos resultados. Esta é uma das grandes falácias dos tempos modernos!
Como exemplo desta falácia, vemos se multiplicar as biografias de homens e mulheres de sucesso que procuram contar aos demais mortais como ser tão bem sucedidos quanto eles. Vemos este fenômeno nos meios empresariais, onde executivos de grandes grupos, mostram a fórmula para a riqueza e o poder. Também vemos no meio religioso, a história de homens e mulheres que obtiveram grandes benefícios de Deus e tentam nos dizer quais os passos para entrarmos no paraíso da presença do Altíssimo.
Tanto num caso quanto noutro, a chance de não repetirmos a experiência e ainda por fim sairmos muito ferido, como também desesperançados é de 100%.
As experiências vividas por estas pessoas devem levar-nos a buscar as leis fundamentais que possibilitaram-nas cumprir seus propósitos existenciais e não motivar-nos a repeti-las. A prosperidade, ou o acesso a Deus alcançado por alguém, pertence a esta pessoa e é uma experiência única e não repetível na sua integralidade.
Devemos entender que somos um ambiente rico, múltiplo, em mutação, intrincado e vasto que requer métodos e soluções próprias que serão obtidas pela busca constante nos valores internos que possuímos e no entendimento da forma como interagimos com os outros ambientes que estão interlaçados conosco. Não há uma fórmula que se aplique a nossa vida, tendo sido testada em outras pessoas, que produzirá, inconteste, resultados pré-programados.
Há soluções únicas para pessoas que são únicas; as minhas experiências somente servem para dar-me sabedoria o suficiente para buscar as leis que produziram tais experiências e saber que a vida não é a somatória de casualidades, embora seja a somatória de fatores incontroláveis.
Deus nos fez seres únicos e que em si mesmos são universos em transformação; transformação esta que ocorre com o tempo e com a interação entre os diversos universos com os quais, por tempo breve ou longo, compartilhamos parte da jornada.
Com isto, precisamos ter a coragem de não somente vermo-nos como seres únicos (ecossistemas singulares), como buscarmos soluções particulares que reflitam a nossa unicidade. Precisamos buscar uma experiência com Deus, que por um lado traduza nossa capacidade e vontade de crer em Deus e por outro reflitam os desafios que estamos enfrentando e a disposição de suplanta-los, assim como seja determinada pelo próprio ser que somos, nossa personalidade, nossos recursos, nossa idiossincrasia.
Também sabemos, que como os ecossistemas naturais, nossa transformação, decisão, posicionamento afetará as frágeis estruturas de relacionamento que temos com as demais pessoas, demandando, desta forma redesenhar todos os relacionamentos e a forma como negociamos nossas interações.
Responsabilidades intransferíveis que contará com um poderoso aliado: Deus.