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Duas colunas: para uma Torre e para um conjunto habitacional

 

Paulo nos fala que somos co-participante da edificação de um templo, cujo fundamento é Cristo. Sobre este fundamento pretendido de um texto lido e interpretado, podemos erguer muitos prédios diferentes. Na tentação do deserto Satanás lembrando Jesus das escrituras,terpretado, os santua a le coberturas e de roupas que apregoam o poder e a força. suas leis inju procura levá-lo a um edifício diferente daquele que o próprio Cristo tinha em seu coração. A citação de textos e a explanação com certa coerência interna, com um discurso articulado, fundado em espiritualizações que nos levam aos pícaros dos montes, ou ao mais elevado topo dos santuários e da santidade, podem não ser aquele que faz presente a chama do Espírito que estava em Jesus. Abaixo exporemos uma citação bíblica conhecida como o Sermão do Monte, as Bem-Aventuranças, e duas leituras que embora paralelas, têm órbitas distintas, habitam mundos distantes e inconciliáveis. Um bom exercício é você colocar sua própria coluna em paralelo as estas.

 

O que Jesus falou

O que eles dizem

O que se pode dizer

Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos,

Jesus tipifica toda autoridade espiritual, aquela que governa dos lugares altos, que tem seu olhar sobre os povos e fala às multidões. Ele fala como Rei, o qual cercado de seus ministros, aqueles que o seguem de perto e recebem em primeira mão as revelações que do alto vem. Os seus discípulos são aqueles que o seguem, e esforçam-se em subir o monte e estar perto de Deus. Buscam-no e ouvem sua voz. Quando seus discípulos o ouvem, o seu trabalho é feito por eles, e Ele pode assentar-se como o Rei que governa todos os povos. Seus discípulos são, assim, seus representantes legais, autoridades que continuam a obra do Rei e falam em seu nome, repetindo à multidão suas palavras. Ouvi a seus discípulos, pois assim ouvireis a Deus.

Jesus é um de nós. Fala conosco, come conosco, vai à nossa casa, tem nosso cheiro e se veste como qualquer um. Jesus olha para nós não como coletivo, mas indivíduos prenhes de vida, mas cuja vida plena nos é sonegada. O monte para Jesus não é o monte do poder, mas é a metáfora de um tempo em que se reconhecia em Moisés aquele que tendo subido só ao monte Sinais desceu com a Lei. Jesus sobe o monte e convida a multidão a subir com ele e de lá não sai lei alguma, mas conversas, reflexões, amizades, questões sobre a justiça. Não há normas, mas bem-aventuranças; não há leis, mas ensinos; não há poder, mas um desfazer da força bruta pelo convite a subirmos todos àquele lugar, o qual pode ser qualquer lugar, pois este não tem nome.

e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:

Jesus ensina a seus discípulos e estes ministram aos que a eles derem ouvidos. Seus discípulos são Seus ministros. Aprender de Jesus é aprender com aqueles que Jesus escolheu para serem seus enviados às multidões. A escolha de Jesus é a escolha por aqueles que tendo se esforçado por subir o monte e, como Maria, assentando-se a seus pés e ouvindo atentamente a sua voz, foram elevados à posição de discípulos. Estes ensinam aqueles que a estes homens se submetem. Submeter ao ensino dos discípulos de Jesus é submeter-se ao próprio Cristo. Ouvi aos profetas e vivereis, diz a Palavra.

Moisés ouve de Deus as Leis as quais são escritas em tábuas e trazidas para baixo, para a presença do povo que a ela é alheio. A Lei lhe é externa e ela regulará os corpos e os comportamentos dos filhos de Israel. Jesus conversa, ensina, fala, e deste diálogo não vem nada do exterior, tudo está entre nós. O ensino que começará é aquele do chegar-se próximo e mostrar o próximo como lugar do falar. Um homem chamado Jesus está no alto do monte falando às pessoas. Mas, o que diz Jesus? Esta é a questão que deve nos nortear.

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Para aprender com Cristo, isto é, com a Palavra revelada por Cristo a seus discípulos, cada um deve ser humilde. A humildade começa na submissão incondicional à Palavra que Cristo revela e que os ministros dele declaram. Todos os grandes e pequenos que querem algo de Jesus, devem se submeter a ele, isto é, a seus discípulos e esvaziando de toda sua auto-determinação, auto-suficiência, humilhar-se e aprender a depender e esperar as orientações dos que Jesus enviou a ensinar. A estes que se humilham, que assumem sua ignorância e que se submetem aos discípulos, isto é, seus apóstolos, Ele lhes dará o Reino dos céus. O Reino é o lugar onde o Rei governa e tudo a ele pertence. O Reino é o lugar de ordem, de lei, de governo, o lugar alto. Herdar o Reino é herdar tudo que pertence a Deus, mas herdar é submeter-se ao Reino. Como diz o Senhor: meu é o ouro, a prata e toda riqueza.

Felizes são aqueles que não se encontrando acima de qualquer outro. Felizes serão quando puderem olhar e ouvir os seus próximos como aqueles que estão perto, e aqueles que estão distantes. Felizes serão quando não houver entre nós governadores, senhores, autoridades, gênios, homens e mulheres elevadas que sobem montes e descem com revelações. Felizes serão quando todos, em entendimento de si e do outro, puderem construir uma utopia da igualdade cheia de amizade. Apenas subiremos os montes para contemplarmos a beleza da criação e alegrarmo-nos mutuamente. A humildade deve estender-se não apenas às relações entre humanos, mas entre o humano e tudo que não for dito humano. Não apenas entre os da mesma fé, mas entre qualquer que esteja próximo. O humano deve esvaziar-se de sua pretensão à divindade. Todo aquele que sobe e desce do monte, encontra pelo caminho gente subindo e descendo o monte e nas subidas e descidas pode compartilhar, entregar e receber.

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

Se hoje você pode estar chorando, pois suas contas estão atrasadas, você está sem emprego, está doente e seu marido a abandonou, mas Deus lhe dará de seu consolo. Deus é fiel e não pode mentir, se Ele disse pela Palavra revelada aos seus profetas que abriria as portas dos céus e traria maior abastança, então pode prová-lo e verá sua verdade em sua vida. No Reino de Deus não há choro. Aprenda com os apóstolos e a eles se submeta em humildade, assim o Reino se abrirá a ti e o consolo do Senhor a alcançará: um novo emprego, a cura de suas enfermidades e o marido novamente em casa, pois ele levou sobre si as nossas enfermidades e o castigo que estava sobre nós ele levou sobre si.

Bem-aventurados somos quando entendemos que a vida é choro e consolo, alegria e compartilhar. Bem-aventurados todos os que tendo um amigo que estando próximo o vê e o ouve chorando e o consola. Bem-aventurados somos quando podemos encontrar no próximo a bondade e o amor divinos, e este que se apresenta a nós como consolo. Bem-aventurados somos quando somos consoladores de nossos próximos sem que lhes perguntemos a origem e a fé, da linhagem, a riqueza. Bem-aventurados somos quando podemos participar desta compartilhar da vida. Que nos dá o direito de chorar e sorrir, sem que no choro sintamo-nos perdedores e no sorriso invejados.

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Ouvir Jesus e aprender com ele é amansar seu coração, abandonar o trono de sua vida e entregá-lo ao Rei, e seus representantes autorizados. Feliz é aquele que abandona seu direito ao comando, ao governo, a dizer o que é bom e ruim para sua vida, e mansamente se submeter a Deus, isto é, aos discípulos. O manso, aquele que não luta contra Deus, que abaixa suas armas carnais e recebe as armas espirituais, estes herdarão não apenas o Reino dos céus, mas a própria terra. Herdarão os lugares de comando na terra, herdarão o poder sobre os povos, a riqueza, o direito de ser ouvido, o direito de contribuir com o Reino. Minha é a terra e tudo o que nela há, diz o Rei. Os filhos do Rei herdam tudo que pertence ao Pai.

Felizes somos quando pudermos pedir perdão e encontrar na face do outro o encontro renovado. Felizes somos quando bem antes de encontrarmo-nos com o outro arrependido, já tivermos prontos o perdão. Felizes somos quando a inflexibilidade da vida, a rigidez da moral, a intransigência da técnica encontrar em nós um limite, mas o aprender com a falha, o renovar do erro, a novidade do começar tudo outra vez, for mansamente incorporado sem culpa e sem rancor. A vida e tudo que nos envolve se revestirá de um prazer de existir como humano. A terra será aprazível, o mundo desafiante e nós seremos como crianças que sempre diante do inusitado e interessante está.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.

Hoje os ímpios ocupam os lugares altos, na economia, nas finanças, nos negócios, nas artes, no lazer, nas comunicações, no esporte, no entretenimento, no ensino, nas ciências, na política, no direito, na educação e na família. Mas nós somos os filhos do Rei. Mas o Reino é o lugar onde a Lei de deus impera. O mundo está sob o poder de Satanás e seus representante, e isto se chama injustiça. O desemprego, a fome, a violência, são fruto desta injustiça. Seremos felizes quando os ministros de Deus forem os legisladores, pois ouvindo Deus, escreverão as Leis. Quando o mundo se submeter aos ministros de Deus então haverá fartura de justiça e fartura de felicidade.

Felizes seremos quando a justiça não for vingança. Felizes seremos quando o perdão vier antes da justiça, mas a justiça não se eclipsar diante nem do perdão e nem do ódio. Felizes somos quando a justiça não provier da Lei. Felizes somos quando nossos atos, propósitos, palavras, desejos, esperanças estiverem famintos e sedentos de justiça. Que a Lei não seja superior e delineador da justiça. Que o código não limite a justiça. Que a justiça seja além, aquém, dentro e fora de toda norma. Que a dor de todos os que doem seja a nossa dor e que a nossa dor encontre num outro hospitalidade. Que a fartura impossível de uma justiça sempre a por vir seja a esperança que nos torne bem-aventurados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

Felizes aqueles que ouvir o clamor dos povos não evangelizados. Feliz aquele que, sabendo da dor daqueles que não crendo neste evangelho de Jesus que os apóstolos revelam e se perdem nas densas trevas, contribui liberalmente para a obra de Deus. Trazei os dízimos à Casa do Tesouro e provai-me nisto... Estes que se compadecem dos Chineses, Indianos, Japoneses, Indonésios, etc e enviam missionários às terras distantes, estes alcançarão boa medida, recalcada, sacudida e transbordante.

Para que a justiça se faça presente, então, que a tua lágrima encontre morada no meu coração. Onde encontrar justiça senão nesta violenta atitude de expor nosso coração à miséria alheia. Não à miséria do irmão, mas a miséria do miserável. Onde está o miserável? Onde está teu coração! Mas se teu coração somente está em ti, nunca conhecerás a justiça. A misericórdia de Deus encontra morada no coração do humano, do humano que encontra com o miserável e nele põe seu próprio coração. Jesus olha para a multidão e ensina que a misericórdia que cada um procura está habitada no coração de seu próximo. A misericórdia nos torna dependentes daqueles que estão à nossa vista.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Quais são os tesouros que vocês guardam para si? Os tesouros são aquelas coisas que você guarda em seu coração e que não quer entregar a Deus. Estas coisas enferrujam e sujam seu coração. Entregue a Deus o que lhe é importante e que ocupa o lugar do Reino em sua vida. Abandone tudo no altar de Deus: riqueza, poder, auto-estima, auto-suficiência, arrogância, etc. Felizes aqueles que entregando tudo a Deus, pondo no seu altar, podem ver Deus por meio de seus apóstolos, bispos, missionários e pastores.

Qual o tesouro do homem senão seu desejo de ser Deus? Do alto da montanha cada um deseja dizer ao mundo a sua Lei e garantir com a força o seu reino. Bem-aventurados os que se humilham, que são mansos e que encontram a misericórdia (em si e no próximo), pois a justiça neles os torna limpos para verem Deus no próximo e no próximo do próximo. Limpamo-nos das amarras das hierarquias e das estruturas que nos segregam, da lei que julga e condena, da tirania do controle e das normas, aceitando não o irmão, mas a todos os que Deus ama. Ver a Deus é ver com os olhos de Deus o outro como o Deus esvaziado, tal qual nós mesmos.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Todos nós temos nossos inimigos. Jesus teve os seus. Seus discípulos enfrentaram as bestas e as feras. Mas Deus mesmos diz: por um caminho virão contra ti, mas por sete fugirão de ti. Aos filhos de Deus é entregue as armas espirituais para aniquilar toda adversidade. Os filhos de Deus empunharão a espada da fé e cortarão a cabeça de Golias, esmagarão a cabeça da serpente e, como Josafá, verão os seus opositores mortos, mas carregados de riquezas que convergirão ao Reino. Os filhos de Deus encontrarão a paz, destruindo aqueles que a eles fazem guerra. Não tenham medo e não se espantem, pois somos mais do que vencedores.

A paz não é a ausência e nem o extermínio de nossos inimigos, mas seu enfrentamento amoroso. Estar a uma distância do tapa, frente àquele que nos esbofeteia, e dali não sair até que encontremos nele nosso melhor amigo. Nossa fraqueza e debilidade conhecida pela injúria, pela oposição que nos fala sempre de quão limitados somos. A paz como lugar encontrado no confronto. A paz que não é o lugar de refúgio após a contenda, mas o lugar da contenda até que haja diálogo. A paz como o espaço que violenta a distância e a separação, reclamando proximidade e diálogo. A paz feita não a troco da guerra, da eliminação, da injustiça absoluta, mas aquela que se ergue em meio aos confrontos que buscam o lugar mais justo da mansidão e misericórdia. Paz, justiça, mansidão, misericórdia, consolo, humildade não são degraus de santidade, mas linhas que tecem este tecido leve mas, resistente da bem-aventurança que é o convite do Cristo.

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Jesus foi pregado numa cruz, não tendo ele mesmo pecado algum. Paulo foi perseguido, sofreu naufrágios, foi açoitado e morreu possivelmente decapitado. Pedro, dizem alguns, foi morto crucificado de ponta-cabeça. Hoje os discípulos de Cristo são perseguido, injustamente presos em terras estranhas e julgados por tribunais ímpios. Todos estes apóstolos, episcopisas e bispos que são presos, o são porque estão sendo perseguidos por Satanás. Quando o povo de Deus marcha para a conquista de Canaã, os povos que ali estão tentam impedir a promessa de Deus. Mas o Reino de Deus, a fidelidade de Deus é para aqueles que mantém sua fé nas Palavras de Deus e não levantam a mão contra seus ungidos: os apóstolos. Não importa que a justiça dos homens o julguem mentirosos, creiamos neles.

Tecido leve, que nos cobre a todos contra as diferenças de coberturas e de roupas que apregoam o poder e a força. A Lei persegue a justiça, como um Caim que persegue a Abel. A lei é impositiva, controladora, cerceadora, punitiva, violenta, segregadora, sem fundo e sem origem. A justiça reclama um ir além da lei, um questionar da lei, um confrontar pacificamente a lei a fim de estendê-la para além de si mesmo. A justiça reclama uma interrupção da lei e uma irrupção de algo que transpassa a Lei. A justiça fala do direito do estrangeiro, da voz da criança, da palavra da mulher, do escrito da natureza, da misericórdia, do perdão, da mansidão e da paz. A justiça se põe lá onde o poder diz ter a legalidade e questiona sua legitimidade e verdade. A justiça se coloca nas praças, nas avenidas, nos parques, etc, dizendo aos edifícios que em três dias eles ruirão. A lei normatiza a vida desejando limitar a justiça.

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.

A justiça dos homens diz que os apóstolos, episcopisas e bispos estão enriquecendo com o dinheiro dos dízimos. Mentira! Os jornais e revistam dizem que os apóstolos, episcopisas e bispos manipulam a fé do povo. Mentira! As televisões e rádios dizem que os apóstolos, episcopisas e bispos dão calote em seus credores, faltam com seus compromissos e acordos, sonegam e corrompem, fazem acordos políticos escusos e manipulam a legislação. Mentira! Estes homens e mulheres fazem o que Deus os ordena a fazer: expandir o Reino. Mais eles se alegram com tais mentiras, porque também assim fizeram a Jesus. Se Cristo vivesse nos nossos dias, também teriam dito que ele enriquece ilicitamente, manipula, corrompe, etc. Mas ele não fez nada disto.

Feliz aquele que encontrando a paz, busca a justiça com coração misericordioso. Este não sobe ao monte só, não desce de lá com a Palavra de Deus e não determina sua obediência. O que busca a justiça somente encontra-a na presença sempre problemática do outro, do outro que não fala a sua língua e nem é seu parente mas que com ele quer dialogar. Feliz é aquele que pode dizer: “não há um justo, nem um sequer...”, excluindo-se desta tarefa impossível, mas responsabilizando-se por este desejo infinito, que a fome e a sede lhe impõem. Mas o que busca a justiça sabe de sua injustiça e por ela e por aqueles que não a desejam são perseguidos. Perseguidos, injuriados e caluniados por aqueles que praticam a injustiça pela Lei, encontram em seus atos violentos e nas suas leis injustas a segurança e a certeza de estarem fazendo isto em nome de deus.

Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.

Vocês hoje podem não estar vendo nada acontecer, mas a fé é a certeza de fatos que não se vêem. Vocês hoje podem ouvir dos seus vizinhos ímpios que tudo isto é duvidoso, mas vocês sabem que a fé é certeza. Olhem com os olhos espirituais e vejam no mundo espiritual a riqueza, a cura, a restauração, o reconhecimento, a justiça, o Reino de Deus que sobre vocês vem. Alegrem-se, cantem aleluias a Deus, pois grande é a recompensa a todos os que sobem este monte e ouvem atentamente as Palavras reveladas por Jesus a seus ministros. Não olhem para a dor presente. Não ofereçam lugar ao diabo que fala que você nada terá de Deus. Cante, dance, alegre-se, pule, pois Deus já liberou a ordem nos céus, como nos dias que Daniel jejuou e depois de vinte e um dias a Palavra lhe chegou. É chegada a vossa salvação e toda a perseguição de Satanás, que tentava impedir a benção de chegar a ti, já caiu por terra. Deus te honrou, glorifique a Deus.

O profeta é o que diz a Sodoma: pecastes pois fostes violenta. O profeta diz a Jerusalém: tu és Sodoma e Egito, o lugar da violência contra nosso Senhor. O profeta não é aquele que sabe extraordinariamente sobre o futuro. O profeta é o que vê nos atos violentos um presente de injustiça e um futuro de extermínio da diferença. O profeta fala com a voz de todos aqueles que como ele são perseguidos e injuriados. O profeta em sua misericordiosa busca de justiça fala a língua do injustiçado. O galardão do profeta é, ao ser a voz no deserto, poder dizer: eis o cordeiro de Deus. Ele aponta para um presente que tem o sentido da bem-aventurança divina: o homem que prega a paz. A alegria do profeta está em apontar para um mundo melhor, no qual a dor será menor, onde a injustiça será outra que não esta, já ultrapassada.

Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.

Vocês são o sal da terra, em outras palavras, vocês são cabeça e não cauda. O sal é uma pequena parte da comida, é um pequeno volume diante do todo. Mas o sal confere sabor, isto é, determina, ordena, dá sentido e valoriza a comida. Assim são os filhos do Rei: somos poucos, pois somos aqueles que Deus colocou aqui na terra para governar com a autoridade espiritual de Deus. Assumamos os lugares de poder, tomemos à força os lugares de comando, lutemos pelos lugares de ordenamento do mundo e de lá irradiemos a luz deste evanngelho de Jesus que temos ouvido pela revelação aos apóstolos, episcopisas e bispos. Quem não tiver esta fé, é como o cão que retrona ao seu vômito, ou o sal que é pisado, tal qual a serpente.

A vida há de ter sabor, deve ser degustada, aproveitada, vivida. Não este ou aquele como sal, mas todos somos sal de um modo que Cristo convida. O sal está não no particular, no individual, mas na pluralidade das relações que sejam dotadas do sentido das bem-aventuranças. É o fato plural, a qual rompe com a individualidade, que se pode chamar de sal. O sal só é como o sal no lugar onde ele promove sabor. O sal é o sabor da comida, tal qual as relações com cada desafio que a elas se apresentam que deve ter sentido, alegria, vontade, determinação, ou seja, ter um sabor especial que valha a pena ser intensamente vivida. O sentido espiritual que envolve a nossa vida é esta salinidade temperada das relações que nos fazem aprender, querer, viver. O ensino de Jesus não se dirige ao céu, mas promove uma instância celeste entre nós, o tempero de uma vida que se viveria milhões de vezes, caso necessário fosse. Não é um desejo de ir para o céu, mas o gozo do celeste entre nós, chamado de sal. Aquele que, de maneira egoísta, ou deseja ir ao céu e deixar a terra ao dissabor daqueles que ele julga ímpio, ou aquele que pensa ter um dom superior e quer exercê-lo como poder de prescrição de comportamentos, controle de atitudes e punição de desagravo, não é sal na medida com que Cristo convida, mas sal a ser lançado fora. O sal está no entre das relações e não no interior do individual.

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;

É a revelação de Deus, por parte dos apóstolos, episcopisas, bispos, missionários e pastores, que traz luz a nós. Nossa luz não é nossa, somos como espelhos que refletem a luz revelada a estes ungidos de Deus. Como espelhos colocados nos lugares altos, reflitamos a luz que recebemos dos servos de Cristo. Os crentes são refletores de luzes refletidas.

A metáfora da luz que há de ser exposta, estará exposta antes a esta força do relacionamento, daquele cuja luz é visível diante e para o outro, e vice-versa. A luz primeiramente assume este imperativo de cidade. A luz de cada casa, de cada espaço, de cada um ilumina a cidade. A cidade é vista no conjunto de sua iluminação. Mas uma cidade não é uma casa, mas a proximidade de casas, daqueles que, naquele tempo, se juntavam por amizade ou por necessidade. O indivíduo não é uma cidade, mas está numa cidade onde todos partilham de certa luz. A luz da cidade é esta proximidade de indivíduos que partilham deste espaço comum de convivência política e nela fazem resplandecer a luz na noite.

nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa.

Ao refletirem a luz por nós refletida, vocês refletirão a glória que de nós emana. Seus gestos, suas vozes, seus modos, duas roupas, seus costumes, suas ações, suas escolhas, suas vontades serão todas as nossas. Vocês serão nossa extensão e prolongamento. Nosso pensamento será exposto ao mundo através de vocês. Assim nós seremos por todos conhecidos e nossa luz será vista em todo o mundo.

A segunda metáfora da luz ainda traz esta força do estar entre e não dentro. A luz ilumina quando está no meio e de tal maneira que a todos traz seu recurso. A luz interior é a luz oculta, mas a luz que Cristo preconiza é a luz em meio. Não se é luz e nem mesmo se reflete luz, mas coloca-se luz em meio à vivência e a convivência. Coloca-se a luz no velador, naquele local propício que está no espaço que promove a iluminação de todos. A luz não emana do indivíduo, mas percorre a presença de todos, quando a presença noturna reclama a iluminação. Opera-se na noite por meio de uma luz.

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

A vossa luz é a nossa luz refletida por vós. Cobrimos vocês com nossa cobertura para que vocês iluminem com nossa luz. As nossas boas obras serão vistas por todos os homens, nos noticiários, nos jornais e revistas: não furtarás, não adulterarás, não desejarás a coisa do outro, mesmo que este outro seja o ímpio.

Desta maneira deve ser a luz que buscamos, posta e exposta entre todos a fim de iluminar a todos. A luz não é isto ou aquilo que fazemos em particular, mas a maneira particular de fazermos tudo diante de todos tendo em vista o bem comum. A luz é esta presença divina entre nós que pretende que todos possam viver com a intensidade e desejo tal que a vida seja divinamente presente. O Cristo, o Emanuel convida o céu à nossa vida, não por um ir, mas por um vir sempre renovado pela proximidade com a vida. A vida, não aquela distante e separada que chamam de vida espiritual, mas a vida vivida próxima cujo espírito ilumina com a alegria de sermos próximos.

Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.

Subam o monte do Senhor. Ouçam o que os discípulos estão lhes revelando da parte de Deus. Eis as escadas do Reino até a presença dos ministros do Rei.

Ora, a vida de Jesus foi uma vida que pelo cumprimento trouxe abolição do peso da Lei. Ele sobe ao monte para convidar-nos ao monte e assim, cumprindo os passos de Moisés necessários para o seu temo, desfaz a sacralidade do monte e permite o acesso a todos os que descem e sobem. O véu do monte é rasgado antes do véu do templo. Jesus ao cumprir desfaz o peso da Lei. Desfazendo o peso da Lei, rompe com as proximidades e distâncias próprias da Lei e seus ministros e sacerdotes.