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Quando a Palavra faz mal!

Neste exato momento de minha vida estou numa encruzilhada. De um lado estou preparando três textos nos quais tomo como referência o estruturalismo francês das décadas de 60 e 70 (do século XX) e o pós-modernismo que daí se segue. De outro lado um amigo me envia um texto do Caio Fábio (texto que segue abaixo e que é uma pessoa que me acostumei a ouvir e a ler, não com muita freqüência, mas com atenção respeitosa), que me faz pensar no xeque-mate de minha relação com a Palavra de Deus.

Certamente que alguns vão dizer: mas colocar lado a lado textos de Saussure, Lévy-Strauss, Lacan, Derrida, Foucault, Luc Ferry, Maffezoli, Lafontaine, Dosse, Umberto Eco, Olgária Matos, Haroldo de Campos e Jaeger, com a Bíblia e um texto inspirador como este do Caio é um pecado. Contudo, fazendo outra citação, lembro-me de Ersnt Bloch que disse algo como: uma coisa boa da religião é que ela cria seus próprios hereges. Eu pessoalmente tenho Jesus como o maior herege de todos os tempos. Sua heresia foi tal que depois de dois mil anos ainda estamos tentando colonizá-lo (como diria um professor meu), ou civilizá-lo, como diria Raymond Aron. Para isto contamos com as igrejas, seus sacerdotes e seus dogmas e doutrinas.

De qualquer maneira, o que penso é tomar um caminho pecaminoso para tratar esta questão: quando a Palavra faz mal, ou seria, quando a palavra faz mal, ou ainda, quando a escritura faz mal, por que não, quando o livro faz mal, ademais, quando o Livro faz mal, isto seria, quando a Bíblia faz mal, por fim, quando a Palavra-Escritura é má! A palavra pecado no grego ‘koiné(koine), aquele que foi utilizado na tecitura dos textos do Novo Testamento, podia ser traduzida por “errar o alvo”, como se fossemos um arqueiro lançando flechas contra um lugar privilegiado e não atingindo o destino pretendido. Estas questões de dicionarização de textos antigos é um pecado! Sempre estaremos apontando para um lugar e atirando para outro. O que pretendo é tomar um caminho que deliberadamente me faça errar o destino da civilização, da colonização, da institucionalização da religião. Isto é heresia: descolonizar, descivilizar o cristianismo. Por isso Jesus morreu na cruz e seus discípulos foram perseguidos: eram bárbaros dentro do Império, eram agentes do caos dentro da ordem religiosa judaica.

De fato o maior pecado é retirar de nossa frente o alvo, apagar o destino e desprivilegiar os lugares. A heresia da salvação de Cristo é um rasgar da cortina do Templo de Jerusalém e fazer desaparecer o próprio Templo. Neste sentido Jesus pecou contra o judaísmo propondo sua desinstitucionalização. Não há pecado maior contra a civilização do que fazer ruir o Templo, não ter mais Templo para onde irmos: em três dias derrubarei este Templo e todo lugar será meu lugar. O pecado é destruído pela ausência de Lei que diga sobre salvação e danação no além mundo do céu e do inferno. O clero, os sacerdotes, os padres e os pastores chamam isto de heresia, pois a Lei é a Palavra de Deus. Deus é um Deus de ordem e de leis.

Voltando ao meu dilema, já sabendo que irei pecar (contra a colonização religiosa) e adotar um caminho herético (como pretensão a uma descolonização ao estilo cristão) que dialoga com a contemporaneidade (que em certo sentido é re-civilizar o arcaico). Neste retorno, retomo o fato que o texto do Caio confronta os meus trabalhos, no entanto quero discuti-lo como exemplo, sem que cheguem a uma síntese dialética, antes, apenas as palavras sejam postas em diferenciações possíveis. Para tanto lembramos que para os estruturalistas uma palavra tem valor dentro de uma estrutura da linguagem. O que determina o significado de uma palavra é seu uso dentro de uma linguagem e esta é determinada como comunicação, no uso social que dela fazemos. Por exemplo, a palavra céu terá um valor dentro de um discurso: se for religioso provavelmente estaremos falando de algo transcendente, para além do sensível, o lugar da habitação de Deus; se for físico-científico, possivelmente estaremos falando do espaço em que se movem astros, estrelas, cometas, gases, galáxias, etc.

Por outro lado (ou seria melhor dizer, retomando a genealogia), o discurso platônico e neo-platônico tomavam a palavra escrita como um suporte sensível à palavra falada. Para que possamos entender melhor estas coisas, lembremos que para eles havia o Mundo das Idéias (da Verdade, da Justiça, do Bem, do Belo, do Ser) em que havia, por exemplo, o Homem (em sua plenitude, aquilo que o homem É), havia o que poderíamos falar do Homem (utilizando a palavra falada e que apreendia o Ser do Homem, até que os medievais disseram que o homem é o animal racional) e havia a escultura de um Homem, que por melhor que fosse nunca apreenderia sua essência (como uma escultura de Michelangelo). Assim, havia a Idéia e a Palavra falada como o que a apreende o Ser da coisa e o simulacro da Palavra que é a escrita, ou o texto. O simulacro é um fantasma, um ídolo, algo corrupto, desgastado, cópia da cópia.

O estruturalismo francês, segundo a crítica de Derrida, toma esta metafísica do inteligível e do sensível e diz que há a palavra falada com os significados estruturalmente definidos, aquela que é transparente e fala das coisas, e há a palavra escrita que é um suporte físico à fala e dela é dependente. Um exemplo significativo desta metafísica da Palavra (fonética, dos sons) podemos sacar no trabalho de Umberto Eco. Ele nos fala que no passado havia a crença de que a língua dos hebreus era a língua de Deus. Quando Deus colocou Adão no Éden, o Senhor falava com sua criatura numa língua, e esta supostamente era o hebreu. Adão, então aprendeu tal língua, que não era escrita, mas falada, pois Deus falava com Adão. Este homem ensinou a seus filhos tal língua falada, e estes a seus descendentes e isto até Noé. Este homem teve três filhos: Sem, Cão e Jafé. Os filhos de Jafé se dispersaram pelas ilhas e foram desenvolvendo, a partir da língua paterna, outros dialetos, distintos entre si. De Cão nasceu Ninrode, o qual na tentativa de erguer a torre de Babel veio dispersar as línguas numa confusão das falas. Sem, o filho bendito, preservou a linguagem e transmitiu-a a seus descendentes, de onde veio nascer Abrão. Abraão falava a língua de seus pais, de Adão, de Elohim. Falar o Hebreu é falar a língua de Deus. Moisés, então, cria uma imagem terrestre da linguagem espiritual a partir da língua escrita hebréia. Assim como o Tabernáculo seria uma representação de um lugar sagrado, também a escrita seria uma representação da fala. O nome de Deus, YHWH, escaparia deste engessamento da fala.

Uma vez a fala tendo sua representante, a escrita (uma simulação daquela), agora ela está guarnecida contra as mutações e as movimentações naturais de um uso no tempo. Voltando um pouco, lembramos que Saussure, pai da lingüística geral, diz que a palavra falada, o fonema, era seu significado (dado no interior da estrutura, isto é, valorada pelas palavras e seus usos) e sua imagem sonora. Esta imagem sonora não é a lembrança do som, mas a imagem psíquica do som. O que nos dá a deixa de pensar na possibilidade da língua ensinada a Adão ser um conjunto de imagens sonoras significadas por Elohim. Lembramos que esta estrutura da linguagem saussariana está, para Derrida, ainda presa a uma metafísica, que toma o fonema como inteligível e o grafema (escrita) como sensível. O primeiro apreende o verdadeiro e o segundo simulando o primeiro, é verossímil ou plausível.

Neste ponto retorno ao meu problema com a escrita de Caio Fábio. Ele retoma este esquema metafísico da Palavra e da Escritura, da voz de Deus e do texto. Este escrito de Caio traz dois problemas, a meu ver: primeiro que a Reforma Protestante é quem gerou a idéia de uma Sola Scriptura, ou seja, a Bíblia, como Escritura divina, é o único meio pelo qual se ouve a Deus, não há outro contato com a Palavra de Deus além da Bíblia. Este princípio protestante é radicalizado no fundamentalismo protestante que diz que a Bíblia é a Palavra de Deus e ela é o a alfa e o ômega de toda verdade, de todo conhecimento verdadeiro. Somente neste ponto temos um mundo a discutir, que ao mesmo tempo que o distancia do fundamentalismo (graças a Deus), faz com que ele corra o risco de se distanciar do Protestantismo Histórico, de onde nós somos provenientes. Esta distância é problemática a medida em que exige uma definição do nome do jogo que queremos jogar: é possível fazer uma crítica ao cristianismo protestante e reformado, sem que dele nos afastemos? Somos parte deste cristianismo, ou demos início a um novo jogo? Quando digo nós, não nos coloco no mesmo caminho, ou no mesmo sentido e direção, apenas que estamos dialogando por meio de um escrito de Caio.

O segundo problema que vejo é tentar afastar-se do fundamentalismo e dos históricos, vindo cair no labirinto estrutural do neo-pentecostalismo. Aqui deparamo-nos com meu problema. O neo-pentecostalismo brasileiro parte de uma premissa (crença, fé) similar a adotada por Caio. Há uma Palavra Escrita e há uma Palavra Falada. A letra mata, mas o Espírito vivifica. Há a revelação de Deus direto ao homem e há um texto que no mesmo tempo em que apreende esta revelação, cristaliza-a e a enrijece. O texto, o livro está mortificado pela falta de uma revelação nova e fresca de Deus para os dias atuais. Aquilo que está escrito num livro chamado Bíblia deve ser vivificado por uma revelação atual do espírito de Deus ao espírito do homem. A voz de Deus passa ter primazia sobre o escrito divinamente inspirado. A Bíblia faz mal, segundo os neo-pentecostais.

O movimento peregrínico dos neo-pentecostais se funda na voz de Deus, na Palavra de Deus que eles chamam de Rhema (rhema), a qual dá sentido à Palavra de Deus escrita, o Logos (logos), revelando seus mistérios e dando sentido profético escatológico. Estas duas palavras são re-significadas num jogo religioso, cuja regra fundante não é mais o texto, mas a revelação atual de Deus. Exatamente porque Satanás citando as Escrituras segundo uma intenção maligna, é que os crentes precisam de um Espírito vivificante que lhes forneça a revelação da verdade.

Certamente que os neo-pentecostais são re-significativos, mas não são criativos. Esta palavra grega que eles tomam como Palavra revelada, Rhema (rhema), encontra-se na carta de Paulo aos Romanos, quando ele diz: “a fé vem pelo ouvir e o ouvir da Rhema de Deus”. Keneth Hegin quem trouxe à luz esta “verdade” de Deus à Igreja de Cristo. Rhema (rhema) é a imagem sonora da voz de Deus no espírito do crente, pois “o Espírito testifica com nosso espírito”, e que tem no Logos (logos) sua grafia final, seu suporte material.

A crítica que os neo-pentecostais fazem às igrejas históricas, diferentemente da crítica que os reformadores faziam à igreja católica romana, é a de que os históricos estão apegados aos textos e às doutrinas que sobre a Bíblia foram construídas e abandonaram Deus falando sozinho. Os reformadores e protestantes criticaram a igreja católica romana porque ela tomava como referência de fé tanto a Bíblia, quanto as tradições. Agora os neo-pentecostais criticam os históricos porque eles se apegam apenas à Bíblia, e esquecem da voz de Deus. O texto bíblico, então, passa a ser um ídolo nas mãos dos históricos, assim como os católicos têm os santos, idolatrando-o (como já escrevi anteriormente), como podemos verificar no radicalismo fundamentalista evangélico.

Como dissemos acima, a metafísica ocidental parte da crença de que o fonema apreende o Ser, pois ele sendo transparente como Palavra diz o que É. Quando Deus fala ao homem no seu íntimo, com uma imagem sonora de sua revelação, Ele revela a verdade que estava oculta. Neste sentido a Palavra É, quando traz à presença do que fala o Ser Ideal, isto é, Deus. Isto é interessante quando notamos, por exemplo, na Congregação Cristã do Brasil não há textos além da Bíblia. Também percebemos o privilégio ímpar da fala sobre a escrita no mundo evangélico, pois quase não há pregações lidas, mas somente aquelas que brotam da presença de Deus ao que a transmite. Esta fala de Deus é sempre original, presença divina no homem interior. Ainda que sejamos a religião do Livro (juntamente com o judaísmo e o islamismo), e que o mercado editorial evangélico seja um dos mais promissores, somos apegados à revelação de Deus que é providência de sua voz.

No caso do mercado editorial, assim como ocorreu na confecção do Grande Livro, a palavra escrita, o grafema, vem depois da palavra falada, o fonema. Isto significa que primeiramente o Espírito de Deus falou ao espírito do homem pela voz inaudível de Deus, estando inserida neste falar certa ordenação para perenizar a fala, e depois o homem, em obediência, traduz esta fala em escrita. A escrita é menor. A Palavra falada é revelação e a palavra escrita é a cristalização histórica desta Palavra. Então há de se buscar a voz de Deus que acima da escritura desta voz passada, nos atualize seu falar. Os neo-pentecostais, então, sobre esta estrutura que fende o Rhema (rhema) e o Logos (logos), erguem edifícios monstruosos. O Rhema (rhema) serve a um ato original de um sair para fora (lembremos que igreja no grego é ecclésiaecclesia - que dizem poder ser traduzido como “sair para fora” -, para fora da institucionalização, para fora do mundo, para fora da perdição, para fora do inferno. Tudo isto quase que se mistura num único caldo. Os edifícios se multiplicam, embora cada um deles tenha a pretensão de ser a Casa de Deus (o Deus latifundiário, o Deus especulador imobiliário).

A fenda abissal aberta entre a fala e o texto, entre a Palavra e a Bíblia – diferença esta que já ouvia falar em 1998 nas falas de Texidor – parece fazer emergir do abismo o Leviatã metafísico que chamamos de neo-pentecostalismo. Todos conhecemos a devastação que tem sido promovida e fomentada por este mostro que tem um buraco negro em seu estômago. Este Leviatã surge de um grande e carismático líder, que portador de uma revelação de Deus (Rhemarhema) à igreja, agrega uma multidão em torno de si, a qual espera a realização da promessa de salvação. Esta salvação que motiva as pessoas ao êxodo desde o Egito (que hora é representado pelo mundo, e hora pela tradição religiosa, e mais atualmente é a imagem deste monstro abissal que a todos seduz) até Canaã, inicia-se com a fala deste líder carismático e sedutor. Canaã tem muitas visadas, ou seja, a salvação é significada nesta estrutura de linguagem de diversas maneiras: hora ela é a prosperidade, hora é saúde, hora é restauração de relacionamentos, hora é cura de feridas espirituais, hora é o que você quiser que seja. Em torno deste líder as multidões se agregam, todas em torno do seu Rhema (rhema). Cria-se um nome, multiplicam-se os lugares de culto, surge um clero, surge uma literatura, surge uma estrutura departamental que chamam de ministérios, surgem eventos aos iniciados, usa-se a mídia, etc.

Podemos citar tantos exemplos quantas são as marcas das igrejas neo-pentecostais: Edir, Soares, Estevão, Silas, Neuza, Valnice, Paglarini, etc. Tudo tem início nesta estrutura em que a voz tem primazia sobre a escrita. Mas, ressaltamos, que para o Leviatã a voz tem a primazia sobre a escrita, a Palavra vem antes da Bíblia, quando se guarda a estrutura da cidade de Deus desenhada por Platão: três classes de pessoas: o filósofo-rei, os guardiões e os trabalhadores. Atualizemos para: o líder carismático, os sacerdotes (pastores, presbíteros, diáconos, etc) e o povo. Ao líder é dado o Rhema (rhema) e esta Palavra passa a fluir em meio à Casa de Deus. Todos falam a mesma língua e tem o mesmo modo de falar: Babel.

Como sair disso eu não sei. Talvez no futuro surja um gênio do tipo Santo Agostinho que faça uma atualização synkrética e possa nos dar alento. Mas algumas coisas me são espectralmente possíveis, hoje. Primeiro, este edifício babélico cuja primazia revelacional que hora está com a tradição, hora com a Scriptura e hora com a Voz deve ser posto abaixo, como uma forma de obediência tardia ao desejo de Jesus. Segundo, que se deve abolir o clero, e o sacerdócio deve ser realmente universal. Terceiro, que as reuniões sejam em torno da amizade e não do carisma. Quarto, que toda palavra seja escritural e toda escritura seja traduzida sem medo de pecado. Quinto, que palavras como fé, amor, justiça, graça sejam de fato a voz de Deus em nós e nós como a voz da fé, do amor, da justiça, da graça sejamos em nossos atos reflexos daquilo que buscamos falar. Sexto, que a voz de Deus não seja um discurso, uma fala, um estrutura de significados, um jogo de linguagem, um hebreu, mas seja um olhar diferente sobre o próximo, um olhar amoroso, crente, gracioso, que busque a justiça. Sétimo, que toda palavra que faz mal seja substituída por uma hospitalidade ao diferente. Oitavo, que a guarda do silêncio, que a não-fala, que diante do Deus que não se pode conhecer, ou, que não se dá a gnosis (gnosis), ao conhecimento seja a única voz que realmente se busque.

QUANDO A BÍBLIA FAZ MAL!

Sempre que se obedece à Escritura por causa dela mesma, se está cedendo à tentação do Diabo!  

Não é de estranhar, portanto, que o pai da fé, Abraão, tenha vivido pela fé na Palavra antes de haver Escritura, mostrando-nos assim, que a Palavra precede a Escritura.

A fé vem pelo ouvir-escutar-crer-render-se à Palavra.

E a pregação só é Palavra se o Espírito estiver soprando. Do contrário, é só prega-ação!

E a pregação que não é Palavra é apenas estudo bíblico, podendo gerar mais doença do que libertação.

A grande tentação é fazer a Escritura se passar por Palavra. As Escrituras se iluminam como a Palavra somente quando aquele que a busca tem como motivação o encontro com a Palavra de Deus. Ou quando o Deus da Palavra fala antes ao coração!

A Bíblia é o Livro.

A Escritura é o Texto.

A Palavra É!

Escritura sem Deus é apenas um texto religioso aberto à toda sorte de manipulações!

No genuíno encontro com Deus e com a Palavra, a Escritura vem depois.

Sim! A Escritura vem bem depois!

O processo começa com a testificação do Espírito — pelo testemunho da Palavra de que somos filhos de Deus (Atos 16:14; Romanos 8:14-17; 10:17).

Depois, nos aproximamos da Escritura, pela Palavra. Então, salvos da Escritura pela Palavra, estudamo-la buscando não o seu poder ou o seu saber, mas a revelação” imponderável acerca da natureza e da vontade de Deus, que daquele encontro entre a Escritura, a Palavra e o Espírito pode proceder.

Para tanto, veja João 5:39-40, onde o exame das Escrituras só se atualiza como vida se acontecer em Cristo.

Um exemplo do que digo é a tentação de pular do Pináculo do Templo. Tinha uma base bíblica se levarmos em conta a Escritura como sendo a Palavra. Mas o que Jesus identificou ali foi a Escritura sem a Palavra.

Um ser pré-disposto ao sucesso teria pulado do Pináculo em obediência à Escritura e à sua literalidade, violando, para sua própria morte, a Palavra.

Sim! Estava escrito.

Porém, não estava dito!

Ora, é em cima do que está escrito, mas não está dito, que não só cometemos suicídios, mas também matamos aqueles que se fazem discípulos de nossa arrogância, os quais, motivados pelas nossas falsas promessas, atiram-se do Pináculo do Templo abaixo.

E é também por causa desse tipo de obediência à letra da Escritura que nós morremos.

A letra mata!

Olhamos em volta e vemos o Livro de Deus em todas as prate-Lei-ras. Vemos o povo carregando-o sob o braço e percebemos que eles são apenas consumidores de Bíblias.

Vemos seus lideres e os percebemos, muitas vezes, apenas como mercadejadores de Bíblias e dos esquemas e programas que se derivam do marketing que oferece e vende sucesso em pacotes em nome de Jesus.

Sim! E isso tudo não porque nos faltem Bíblias e muito menos acesso à Palavra.

O que nos falta é buscar a Deus por Deus.

O que nos falta é sermos filhos amados de Deus não porque isto nos dá status Moral sobre uma sociedade que não é mais perdida que a própria igreja, coletivamente falando, é claro!

O que nos falta é a alegria da salvação, sendo essa alegria apenas fruto de gratidão.

É somente na Graça que a leitura da Bíblia tem a Palavra para o coração humano. Sem a iluminação do Espírito a Bíblia é apenas o mais fascinantes de todos os best-sellers.

Caio Fabio