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Fotografia

 

Olhei uma foto antiga e perguntei:

Quem é este que me procura?

Sorri para mim como quem acertasse:

Sou eu!

Mas de ti o que me resta?

Nem sequer uma célula, uma molécula, um átomo persiste!

Restaria este grapho em flash e a memória.

Contudo, entre esta e a história,

Pessoas passam que turvam o espelho

Ainda há pouco, ou quase nada

Um infinitésimo ou um desejo

De um si para mim mesmo

 

Procuro ali onde pensaria estar

Um caminho ou mesmo uma trilha

Cujas marcas poderiam permanecer

E que em retorno retornasse

Todavia tal passo recortado, soterrado, esquecido

A nada leva a não ser, nada ser

De uma visada desconhecida

Cuja imagem traz a surpresa

De uma criança que me sorri

Sem dizer por que permanece assim

Diante do instante que a consome

Deixando e avançando sobre cada tempo presente

 

Entre tantos, deixasse o corpo e a recordação

Tal qual marcas apagadas entrecruzadas

E voltasse àquele espaço próprio

Não mais imaginado da identificação

Sob tudo da arquitetura de um nome próprio

Sobre qual a fundação de um mesmo ser

Emergisse autônomo à decisão

Onde presenciar neste edifício transitivo

As bases sólidas livres da mudança herdada

Que porventura determinam em certeza e segurança

Numa continuidade premeditada

Mas mesmo ali acontece um sujeito à metanóia