Contemplatio e Techne
Ora, quando iam de
caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em
sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do
Senhor, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço;
e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a
servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta,
Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias,
ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. (Lucas
X, 38-42)
Caso
você queira saber apenas as interpretações que damos a este texto clique aqui[i].
Caso contrário, se você quiser saber por que interpreto desta maneira, continue
a leitura e vá até o fim do texto.
Difícil
tarefa aquela que é tomar de empréstimo um texto de milhares de anos e
encontrar nele a dupla possibilidade: a de encontrar, em meio a linguagem, um
sentido histórico para ele; e apontar para uma atualização, se possível, e com
isto, uma leitura que nos faça sentido hoje. Este texto sobre Maria e Marta
traz este desafio. O sentido de minha leitura aponta para uma possibilidade de
tornar contemporâneo um problema que é antigo. Para isto vamos tentar reconstruir
algumas bases que nos auxilie na leitura deste.
O
problema que se põe neste texto é o da contemplação e o da técnica. Mas este
problema tem um colorido absolutamente antagônico com o que ele nos remete em
nosso presente. Mas, mais do que manter esta dicotomia, certa exclusão, ou
exclusividade quer da contemplação, quer da técnica, perguntamo-nos se não
haveria uma outra via de interpretação mais plural, mais inclusiva, mais
multiformal.
A
leitura que pretendo fazer para este texto parte de uma referência ao
neoplatonismo e seu discurso sobre a salvação: soteriologia. Mais do que a
soteriologia, a cosmologia, isto é, a ordem de mundo, a sua proveniência. O
cosmos é ordenado, mais ou menos, assim para os neoplatônicos: Há o Uno, o Ser,
no qual todas as coisas são, isto é, onde a idéia de uma coisa é (quando se
diz: o homem é um animal racional, este é, é o “ser” daquela coisa que se chama
homem e este “é” está no Uno. Todos os “é” estão no Uno, na unicidade do Ser).
Este Uno, o Ser irradia-se como pensamento (Nuos), isto é, ele pensa apenas o
Ser, isto é, a si mesmo. Mas, ao pensar pensa o ser das coisas, as quais passam
a existir, em potência, nele. Tais coisas são em potência, potencialmente,
virtualmente, mas não em ato, apenas em pensamento. O Uno,
o Ser que agora pensando-se irradia-se como Pensamento, continua a irradiar,
mas como alma do mundo. A alma do mundo irradia-se sobre a matéria até então
informe, multinfomando a matéria nos diversos entes. A metáfora usada é a do
Sol: o Sol irradia-se como luz e calor atingindo a matéria, sem deixar de ser
Sol isto é, luz e calor. O que isto quer dizer, O Uno, que é o Ser, Pensa e
quando o faz irradia-se como alma do mundo (alma de onde vem ânimo, animação,
animal), e a alma do mundo dá forma à matéria. O Uno que é um, ao irradia-se
como alam do mundo ele traz a existência o ser das coisas, da potência em ato,
mas conferindo formas distintas à matéria: a multiforme sabedoria do Uno ao
realizar em ato o que estava pensado em potência. Para
cada pensamento do ser das coisas, um ente correspondente. A matéria é sem
forma e vazia, sendo informada pela alma, segundo o pensamento próprio para
cada ser. Contudo, assim como um foco que emita luz e calor, quanto mais
distante deste menos luz e calor se terá, também o é com a irradiação do Ser
nas coisas. Quanto mais distante um ente está do Uno, menos ser ele tem e mais
matéria informe é. Os quatro elementos (terra, água, ar e fogo) estão no limite
inferior desta cadeia do ser. Ao centro (não sabemos o que isto quer dizer)
está o Uno, o Pensamento e a Alma do Mundo, na periferia mais distante (também
não sabemos o que isto quer dizer) está a matéria informe. O que eles chamam de
forma é a idéia da coisa, o ser da coisa. Dar forma é “preencher” uma matéria
com um ser, trazer uma idéia de sua virtualidade para ser ato. O cosmos, então,
é ordenado do Ser para o não-ser (a matéria informe), numa cadeia do ser, isto
é, quanto mais próximo do Ser mais a coisa está animada. Esta cadeia do ser é
contínua, plenamente preenchida e imutável. O que isto quer dizer? Desde o Uno
até a matéria há um sem número de seres que preenchem totalmente esta cadeia.
Pensemos nela como uma corrente muito longa e que cada elo é um ser (anjos,
homens, animais, plantas, plantas-minerais, minerais). Não pode faltar um elo,
senão a cadeia se rompe e desorganiza-se. Onde termina um elo começa
imediatamente outro, e cada elo ocupa um lugar na cadeia, não se alterando,
nunca, este lugar ocupado apenas por ele. Em suma, o Uno ao Pensar o ser das
coisas, pela irradiação como Alma do Mundo, traz a existência o ser de cada
coisa, de uma vez por todas, de um só golpe, informando a matéria de acordo com
o seu ser, fixando seu lugar na cadeia do ser.
O homem
tem a forma de animal racional e está numa posição singular nesta cadeia do ser.
Está entre o divino e os animais e pode pensar, refletindo o pensamento do Uno,
do Ser. Contudo está ligado à matéria, contrariamente aos entes sem matéria: os
astros: estrelas, planetas, o Sol e a Lua: entes cuja forma está no quinto
elemento, o éter, seres etéreos. Em virtude de sua ligação com a matéria, a
racionalidade humana está afetada. Os neoplatônicos se utilizam de outra
metáfora para descrever a condição humana: é como se o homem estivesse
completamente sujo de lama e sua salvação consistisse em remover esta sujeira
banhando-se em águas límpidas. A salvação consiste em que o homem se aplique a
racionalidade (o Ser das coisas imutáveis, incorruptíveis, eternas do Mundo das
Idéias) e afaste-se de sua animalidade (a matéria, do que se corrompe, muda). A
isto chamamos de CONTEMPLAÇÂO, voltar-se para o Mundo das Idéias e dar de
costas para a matéria. Na CONTEMPLAÇÂO o homem permite que sua alma possa ter a
forma da ordem cósmica, abstraindo-se da matéria. A soteriologia do neoplatonismo
se dá em meio à CONTEMPLAÇÂO.
Voltemos
um pouco atrás e busquemos ler Platão. Para este filósofo grego, o filósofo-rei
é o que tendo CONTEMPLADO o Mundo das Idéias (o Bem, o Belo, o Justo, o
Verdadeiro, as coisas imutáveis, incorruptíveis), organiza a Cidade segundo uma
ordem justa. Para que isto se realize se faz acompanhar de guardiões, contudo,
as idéias são realizadas como feitos pelas mãos humanas a partir dos
trabalhadores, artesões. O trabalho manual é o nível mais baixo de ocupação na
Cidade. O trabalhador artesão é comparado quase que a um escravo (um
semi-humano). Na ordem social, então, temos o homem livre, depois a mulher e a
criança, e por fim o escravo. O trabalhador estaria abaixo do homem livre e
pouco acima do escravo. Sobretudo, o homem pleno na Cidade Justa de Platão
ocupa-se em CONTEMPLAR as Idéias. O que os latinos chamam de arte, artefício,
artesanato, aquilo que é feito pela habilidade das mãos humanas, os gregos
chamavam de techne: técnica. Tudo que era feito com as mãos (metalurgia,
tecelagem, agricultura, mineração, etc) estava abaixo em escala social ao que
era racional (filosofia, governo, legislação, etc). Ademais, da CONTEMPLAÇÂO
teremos a TEORIA, que pode ser entendido como “olhar os deuses”, “contemplar os
deuses”. Das técnicas temos a instrumentalização.
Não é
preciso muito esforço, de quem conhece minimamente o pensamento cristão, para
perceber nas linhas acima a cosmologia do cristianismo. Deus Pai substituiu o
Uno; Deus Filho substitui o Nous, o Pensamento; ainda que o Espírito Santo não
substitua plenamente a Alma do Mundo. A salvação advém da fé, mas esta é a
CONTEMPLAÇÂO do Filho. Imaginemos o impacto das palavras de Jesus aos ouvidos
de um cristão neoplatônico: quem me vê a mim, vê o Pai. A salvação é um
voltar-se dos olhos espirituais a Deus e um dar de costas ao mundo corrupto,
marcado pela passagem, pela circunstancialidade, pelo devir. A salvação é
conhecer a Deus, por meio da fé. A Igreja Medieval ergueu toda a sua teologia
sobre esta re-leitura cristã do neoplatonismo, e mais tarde do aristotelismo em Aquino. O cosmos
Medieval é aquele da criação divina (do Uno irradiando-se) e da fixação de uma
cadeia do ser, no qual o homem ocupa uma parte privilegiada. Pico della
Mirandola escreveria em seu “Discurso sobre a dignidade humana”, que o homem é
este ser que nem é anjo e nem é animal, estando entre os dois tem a condição
única da escolha, pois nada lhe foi previamente determinado. O fato é que o
cristianismo toma o esqueleto filosófico e insere interpretações dos textos
bíblicos, configurando um sincretismo entre filosofia pagã como fé cristã. Esta
articulação milenar passou a ser a espiritualidade cristã nas pregações,
ministrações, prédicas, discursos cristãos sem se dar conta do suporte
filosófico-pagão que o sustenta. Nesta elaboração a vida é transcendência pura
e conhecer a Deus é CONTEMPLAÇÂO. A verdade, a beleza, a justiça, o Bem é o que
é crido no mundo espiritual, isto é, das Idéias platônicas. Peguemos este
esquema neoplatônico e submetamo-lo a uma linguagem espiritualista e teremos os
discursos católico-protestante, guardando as particularidades marginais.
Mas será
a instrumentalização da razão que ocupará o trabalho de inúmeros filósofos no
início do século XX. Heidegger, Marcuse, Ortega & Gasset, Jacques Ellul,
Habermas, Adorno, Horkheimer, etc., trabalharão sobre este tema, com a ruína do
cosmos medieval. O cosmos não é mais habitado por almas, ou seja, não é mais
animado, mas agora é regido por leis, como as de Newton. Caso pensemos que os
filósofos modernos, mormente Auguste Conte, criticou o clero, acusando-o de
parasitas sociais pelo fato de não produzirem nada de útil à sociedade e apenas
se aplicarem a CONTEMPLAÇÂO, poderemos, talvez, já ai anteciparmo-nos a um
movimento muito sutil em prol das técnicas em detrimento à CONTEMPLAÇÂO. A
razão se torna instrumental à medida que o que pensa, pensa a fim de produzir
algo, a fim de trazer à existência algo que seja útil a um dado propósito. Ortega
& Gasset vai nos dizer que o homem se aplica à técnica a fim de repassar
seu esforço, o que lhe permitiria empenhar-se apenas em ser. Heidegger vai
nos dizer que o olhar técnico transforma tudo em recurso estocável e
processável pela técnica a fim de garantir a subjugação da natureza à razão, o
que estaria em jogo seria certa vontade de poder, a partir da
instrumentalização da técnica, o que incluiria Deus. Ellul faz um trabalho mais
sociológico, apontando a presença das técnicas em todas as atividades humanas,
o que redundaria num humano tecnologizado. Marcuse nos mostra as técnicas de
racionalização da vida, para o aumento da produtividade e redução de desvios
padrões no comportamento humano, garantindo, de certo modo, o controle e a
produção. Habermas vai dialogar com Marcuse e submeter seu trabalho à idéia de
ideologia. A ideologia são aqueles princípios mentais que dão sentido aos
discursos. Adorno e Horkheimer vão nos falar da razão instrumental, aquela que
visa uma eficácia nas relações humanas visando a produção de bens. Todo o
pensamento é pensamento instrumental, o que eles dizem ser o século do
Engenheiro. Tudo se volta para a máquina, para a produção industrial. A
industrilização tem a ver com procedimentos rigidamente controlados,
cronogramas, planos voltados para a massificação da produção.
No
cristianismo dos séculos XX e XXI, a CONTEMPLAÇÂO foi substituída pela
produtividade instrumental da fé. Não é mais conhecer a Deus, não é mais olhar
por fé a Deus, mas é ter uma relação produtiva e útil com o sagrado, ou, pelo
sagrado a fim de nos aproximarmos de alguma maneira ao Reino. Esta
produtividade instrumental da fé (chamemos de PIF) teria duas vertentes: a PIF neopentecostal
e a PIF dos novos gurus, ou seja, a PIF produzida pelo panteão cristão do
século XXI. A PIF neopentecostal é menos sutil e mais escancarada. O que o
crente deve conhecer é a ordem cósmica do mundo espiritual que se configura por
uma batalha espiritual entre Satanás e Deus. Satanás encabeça um Império do Mal
que opera a fim de impedir o bem-estar do indivíduo, realizando malefícios através
da exclusão do consumo, doenças, esfacelamento familiar, etc. Satanás
representa um mundo caótico em que o homem se encontra sem Deus. O Reino de
Deus tem um Rei, Jesus Cristo. Através de princípios espirituais revelados por
Deus aos seus servos os deuses, o indivíduo pode se tornar cabeça e não cauda,
filho de Rei, herdeiro de tudo, do ouro e da prata. Os princípios revelam a
ordem divina para o cosmos fechado neopentecostal, o que garante toda sorte de
bênçãos espirituais, isto é, prosperidade, saúde, reconciliação, etc. A PIF
neopentecostal opera no sentido de reduzir esforços e maximizar resultados:
relação custo-benefício, utilizando-se de jargões espiritualistas. A PIF também
marca um sistema de controle de condutas e ações a fim de conduzir a massa de
crentes a produzir segundo um sistema ordenado por fé instrumental produtiva. E
isto é visível nas campanhas de cura e prosperidade, nos G12, na dramatização
do culto. Com isto podemos ter uma idéia da PIF neopentecostal.
A PIF
dos gurus é mais enrustida, assim como mais esquizofrênica. Os gurus são
cristãos esquizóides por essência. Eles foram treinados a confundir a fé cristã
com o neoplatonismo, chamando isto de sã doutrina. Esta que está fundada no
logofalocentrismo. No entanto, são filhos da modernidade, isto é, são o
resultado de um cristianismo protestante que enfrentou todos os ataques dos filósofos
modernos, desde Descartes, até Nietzsche. Neste embate perderam a mística cristã
e construíram no lugar um edifício com pretensão de racionalidade,
racionalidade quase impossível. O texto, as Escrituras Sagradas tomaram o lugar
mais do que central na liturgia, mas sem um “i” ou um “~” de mística, isto é,
visão do absoluto, cosmovisão ao estilo medieval, de CONTEMPLAÇÂO. Há todo um
aparato lógico neoplatônico, mas inserido num sentido de maximizar a glória de
Deus intramundanamente, inserido nas coisas do mundo. O Protestantismo
Reformado é tensão levada ao limite último da possibilidade humana: o homem o é
verdadeiramente quando projeta seu ser na existência transcendente, enquanto
vive uma vida como peregrino cheio de tentações e provações, devendo glorificar
a Deus maximamente.
Este
sentido de uma máxima glória de Deus intramundana aliada à centralidade do
Logos, do discurso racional, projeta o protestantismo no abandono da CONTEMPLAÇÂO
e na assunção técnica. Já é possível encontrarmos, em prótese, no Núcleo Firme
do Protestantismo a PIF dos gurus. Esta é realizada por meio de uma
racionalidade da vida cristã, mormente na liturgia do culto. A ordem cúltica
irradiando um modelo de ordem familiar, social, empresarial. Mas o embate com a
modernidade trouxe, também, certa aversão ao saber, à teoria, à CONTEMPLAÇÂO. Ainda
mais que dois mil anos de elaborações sobre o mesmo fundamento teológico
passaram apenas a ratificar e a dogmatizar a teologia já estabelecida, que não
mais aceitaria variações. O modelo irradiante de ordem intramundana e a aversão
à teoria apontam para um novo par de procedimentos: ou a ritualização da religião;
ou o ativismo religioso.
O PIF
dos gurus aponta inexoravelmente para o ativismo religioso. Mais do que um
ativismo religioso, uma negação do saber teórico que exponha às dúvidas seus
procedimentos. Os gurus dizem: “estes intelectuaizinhos que não desgrudam sua bun...da
cadeira, não fazem nada e pensam saber alguma coisa lendo e escrevendo. Nós,
por outro lado, vamos lá e fazemos isto e aquilo.” Os gurus e sua PIF são
responsáveis por construção de templos, viagens a Jerusalém, programas em rádios,
TVs, editam jornais, revistas, livros, estruturam trabalhos sociais e filantrópicos,
arregimentam pessoas, estão rodeados de asseclas, organizam congressos,
eventos, caravanas, etc. Têm agendas repletas até 5 anos à frente. Os seus
amigos são os que são úteis em seus planos e projetos e estão sempre cercados
por eles. Enquanto pregam a favor da produtividade e eficácia de suas
atividades, militam contra a destruição dos ecosistemas, da natureza, mas não dão
conta de quanto uma coisa e outra são aparentadas. Não admitem qualquer
questionamentos, pois sua fé eles as demonstram por meio de suas obras, como
nos indica Tiago, o Apóstolo e irmão de Jesus.
Estamos
no mais abissal dos mundos, quando a fé não encontra palavras para descrever
sua possibilidade em meio à existência humana. Ficamos inflamados, ardendo em
chamas, mas não conseguimos uma tradução plausível, contemporânea, contextual
para a Palavra que nos fala. Somos daqueles que se negam ser puramente Maria/CONTEMPLAÇÂO,
anacronismo de crenças, ou ser puramente Marta/PIF, equipamento de produção de
simbolismo religioso. Somos daqueles que se negam ter a fé determinada por pré-conceitos,
por determinações prévias de um ideário humano (para não dizer neoplatônico). Distanciamos-nos,
não do mundo, mas da fé institucionalizada, estereotipada do isto ou aquilo, a
fim de reencontrar a chama original da fé. Distanciamo-nos daqueles que se
colocam nos púlpitos e, batendo no peito, dizem: obrigado Senhor, porque não
sou como um daqueles que não sabem para onde vão, não tem como comprovar sua fé
e nada fazem por seu Reino.
Buscamos
nos aproximar do próximo como lugar privilegiado pelo Emanuel para a edificação
do Reino. Escrevemos como sendo estes as marcas deixadas no caminho, não para
serem seguidos, ou retomados, mas apenas marcas de uma busca incessante e infindável.
Lemos para dialogar, pois é diálogo o nome da Palavra. Fazemos como aquele que
a mão esquerda não sabe o que fez a direita, fazemos ao próximo, ao pequenino
que não está na mídia, aquele ali que nossa mão alcança. Enquanto cremos,
cantamos uma melodia:
Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
(Tocando
em frente: Almir Sater e Renato Teixeira)