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Falo eu como você

 

Falo amor

Como vaidade

Falo graça

Como tirania

Falo caridade

Como paternalismo

Falo alegria

Como egoísmo

Falo perdão

Como culpa

Falo vida

Como morte

Falo fé

Como eficácia

Falo paz

Como cemitérios

Falo justiça

Como segregação

Falo sabedoria

Como verborragia

Falo igreja

Como axis mundi

Falo Casa de Deus

Como endereço

Falo Cristo

Como hierarquia de unção

Falo bem

Como tesouros

Falo bondade

Como juízo

Falo mansidão

Como infantilização

Falo humildade

Como solenidade

Falo liberdade

Como dogmática

Falo certeza

Como violência

Falo convicção

Como totalidade

Falo poder de Deus

Como produção

Falo fidelidade

Como obrigação

Falo domínio próprio

Como canga

Falo mistério

Como publicidade

Falo unidade

Como narcisismo

Falo serviço

Como servidão voluntária

Falo amizade

Como obediência

Falo comunhão

Como pertencimento

Falo igualdade

Como clericalismo

Falo conhecer

Como reproduzir

Falo discípulo

Como doulos

Falo verdade

Como inquisição

Falo reino

Como capital

Falo dar 10

Como receber 30, 60 e 100

Falo Senhor

Como magia

Falo ide

Como vinde

Falo adoração

Como auto-convencimento

Falo louvor

Como pagamento

Falo sacrifício

Como um dar ao deus-Cesar

Falo Escritura

Como idolatria

Logofaloeu

Como você

 

Boudieu, em “A Dominação Masculina” nos diz que na antiguidade o ato de penetração sexual determinava uma relação de dominação. O macho dominante penetrava o dominado. O adulto penetrava o efebo, o homem penetrava a mulher, o senhor penetrava o escravo. Há filósofos contemporâneos, como Rorty, que lêem o “Logos” grego cristianizado como um falo-logo-centrismo, isto é, um discurso que, tal qual o falo penetra e submete, tem este caráter penetrante e de assenhoramento do outro. Podemos ler que o discurso contra a dita homosexualidade contido na Bíblia nada tem a haver com uma discussão sobre sexo, sobre homoafetividade, sobre relação sexual entre duas pessoas que tem o mesmo conjunto de genitálias. O discurso neotestamentário se oporia a este logo-falo-centrismo das relações que se estruturam sobre a dominação do forte sobre o fraco, do poder sobre o menos poder, do rico sobre os pobres, do macho sobre a fêmea, do adultero sobre a prostituta, do homem sobre o efebo (o menino, o adolescente), do Imperium sobre as gentes, do clero sobre os leigos, etc. Foi este o sentido destas relações acima: falar uma palavra, como se neste falar ela tivesse um sentido no não-dito, e isto se dando num movimento do “falo”, do pênis que penetrando a palavra desloca seu sentido a fim de determinar uma relação de poder e dominação. O falo come e assim desloca o sentido original da palavra, para um lugar deformado Quando há um discurso falocentrado no eu dominante, ele tem o sentido primário e destinado a submeter, meter, como você. Mas são somente palavras, de alguém que nada faz para salvar o mundo, nada realiza e não se envolve nos meandros da teologia e da política eclesiástica. Desculpem-me, bispos, pastores, apóstolos, todo este pessoal dessidade que Garrincha nasceu.