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Fé no mundo.

 

Enquanto ouço “Across The Universe” dou conta que qualquer coisa muda

mundo.

Mundo in-vácuo,

mundo intersticial, deveras é

mundo enquanto espaçamento,

abertura,

fendas,

incompletude,

incoerência,

vazios

de nada.

Mundo anti-cósmológico,

não-cosmovisionário.

Contemplação de cego: meia-noite encoberta...

 

Um pequeno e insignificante ponto sobre o “j” ou o “i”,

uma vírgula,

um til,

uma exclamação, sobretudo

uma nova interrogação,

posta aqui,

ali,

acolá,

aonde até então era

mundo e era hipostático,

e tudo se rediz, se diz

mundo novo.

 

Mundo que sai do lugar a cada quantum.

Cinético.

Em que cosméticos aparentam o próprio

mundo, sem a face que eles embelezam,

pintam,

e não podem esconder o que não há para ocultar.

Pura fragrância,

sentidos,

memória,

cores,

odores,

sons.

 

Mundo é um não-

mundo.

Sem o sólido,

o durável,

o constante,

o imutável,

o incorruptível.

Sem sopas,

sem fluidos,

sem movimento,

sem espessura,

sem dimensionalidade.

Só transito!

 

Mas sem

mundo, não haveria não-

mundo.

Contar o

mundo é

desejar

mundo, é construir

mundo com a solidez da sedução.

como verdade que se desfaz,

que não encontra realidade.

Mundo-verdade-mentira,

Imbricamento,

fusão,

confusão,

interpenetração tectônica.

Deslizamento de discursos sobre a chama pastosa do magma cultural.

 

As cores faceadas, faceiras são feições de sim ao

mundo em cores,

mundo de cores,

mundo como cores, sons, odores,

mundo textura plana.

Mundanas multicores textualizadas.

Mascaramento multiteatral, politeatral, plenificado,

Permanece o

mundo, em que remanesce a mulher no batom, no blush, no rimel, no brilho, na sombra, nos óleos, nos cremes

 

Quanto mais terra lançada ao abismo,

mais abismal a escuridão que traga,

mais a terra é consumida pela vastidão do infinito

mundo.

Quanto mais as vozes dissonantes são ouvidas,

mais discordantes, conflitantes, certeiras, convictas, verdadeiras,

mais vacila a obra de

mundo.

Quanto mais os elementos do

mundo, se misturam em matéria-

mundo, mais a substância se desfaz.

 

Neste calor e suor em um não-

mundo como sega no deserto,

neste desfazer-se dos elementos fundadores de não-

mundo laborado e piramidal,

neste iluminar que incide cada ente de não-

mundo que se prega à caverna e se faz uso

neste duvidar que se impõe em cada

escritura tecida de escamoteios e ópio,

mais no sem-

mundo dá-se a                                                                                                fé!