Jerusalém! Jerusalém!
O que fizeram com tuas entradas?
Trancaram-nas!
Mas o que antes não havia chaves,
Hoje está em ferrolhos retidos.
O que fizeram com tuas estradas?
Pedagiaram-nas!
Mas o que antes não havia custas,
Hoje está entre despesas levadas.
O que fizeram com teus encontros festivos?
Institucionalizaram-nos!
Mas o que antes era amizade,
Hoje está sob o rito sumário.
O que fizeram com tuas assembléias?
Subordinaram-nas!
Mas o que antes era serviço,
Hoje está graduado pela obediência.
O que fizeram com tua verdade?
Suprasensibilizaram-na!
Mas o que antes era o verbo encarnado,
Hoje está pregado no céu.
O que fizeram com tua liberdade?
Ajuizaram-na!
Mas o que antes era vida entre nós,
Hoje está no medo fatal.
O que fizeram de tua igualdade?
Segregaram-na!
Mas o que antes era planície,
Hoje está na contemplação dos altos.
O que fizeram com tua justiça?
Sacrificaram-na!
Mas o que antes era fim do sacrifício,
Hoje está na proliferação sacrificial infernal.
O que fizeram com tua pentecostalidade?
Babelizaram-na!
Mas o que era antes miríades de linguagens,
Hoje está confiado à monolinguagem
industrial.
O que fizeram ao teu espírito da letra?
Mataram!
Mas o que antes vivificava,
Hoje está eclipsado por monturos de
palavras.
O que fizeram com teu santíssimo lugar?
Velaram-no!
Mas o que antes estava rasgado,
Hoje está assombrando o nada.
O que fizeram com tua paternidade?
Clonaram-na!
Mas o que antes era universal,
Hoje está à venda num banco de esperma
eclesial.
O que fizeram às tuas novidades?
Maleficiaram-na!
Mas antes o que era a presença de tua
bondade,
Hoje está na reprodutividade
de guerra santa.