Antes dos Templos e das Igrejas, caminhávamos
“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e
a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” João 14: 6
“...e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a
fim de que, caso encontrasse alguns do Caminho, quer homens quer mulheres, os
conduzisse presos a Jerusalém.” Atos 9: 2
Exponho algumas considerações óbvias,
a partir da palavra “caminho”. Embora eu as tenha como óbvias, elas não são
obtidas necessariamente no texto que as fundam, mas, procuro encontrar minha
própria leitura segundo o título proposto. Falo aquilo que já estava aqui e que
creio o texto permite ser falado. Podemos nos certificar que sermos conhecidos
como aqueles “do Caminho” está presente antes de sermos
conhecidos como cristãos. Somos caminhantes antes de sermos cristãos, pelo
menos no que tange à história, ainda que a própria história posterior trate de
apagar este rastro. Jesus não disse “eu sou cristão”, mas “eu sou o caminho”,
também os primeiros discípulos de Cristo não eram cristãos, mas “do Caminho”.
Somente mais tarde vieram a ser denominados, por aqueles que os perseguiam,
como cristãos. Caminhar, certamente, é mais frágil, mais instável, mais
movediço, mais mutável do que parar-se num significado emblemático. Desta forma,
ser caminhante é deparar-se, encontrar-se com esta inconstância, a qual se
contrapõe à segurança de uma Igreja Cristã. Seguem, por ai, alguns pensamentos
rápidos e óbvios:
1 – Ao falarmos em Caminho somos convidados a pensarmos algumas coisas:
Trânsito: transitar e mover, mas, quem
são os que se movem? Inicialmente quem está se movendo é a Graça, mas será que
há alguma distância entre a Graça e os agraciados? Entre o Agraciador,
o agraciando e os agraciados? Entre Deus, nós e os próximos? Trânsito determina
distância e aproximação. Mover-se por conta de uma distância e de uma
aproximação. Tecnicamente o trânsito nos leva a pensar em direção (entre A para
B), sentido (de A para B) e velocidade, como num vetor, mas, seria possível
esquecermos a vetorização técnica de nossa vida e caminharmos como que num
caminho sem ponto A e B? Sem uma constância significativa de movimento? O
trânsito já sendo o signo e o sentido.
O que é o Caminho? O caminho é um lugar
de encontro, mas não de paragem. O Caminho é o lugar onde Deus se fez homem,
isto é, se faz homem sempre entre nós. O caminho é o espaço da reconciliação,
como memória e como prosseguimento. O caminho é onde nos encontramos com a
Graça Amorosa que está em Cristo, que como Graça é sempre presente, que como Cristo
é sempre histórica. Quando entendemos que o Caminho é Jesus Cristo, que é o
Verbo em carne, isto é, o encontro de Deus com a carne, o milagre da habitação
do in-habitante, compreendemos que o caminho não é o espaço pré-existente de
uma caminhada, a trilha pré-aberta de uma peregrinação, mas o lugar de esbarramentos, encontros, aproximações, hospitalidades.
Quem é o caminho? Caso pensemos que Jesus nos disse, “eu sou o
caminho”, então podemos re-simbolizar nosso trânsito. Seria possível pensarmos
que aquele que quiser vir após ele, ou seja, fazer o mesmo trânsito, deve carregar uma cruz, apresentar em suas vidas o mesmo
caminho, o mesmo caminhar? Então a pergunta transita para “o que é o caminho?”,
para “quem é o caminho?” Assim, o trânsito é a decisão testemunhal (martírio)
em sermos nós mesmos o caminho! Carregar a cruz não é carregar a cruz de Jesus,
mas a cruz que é nossa, que é minha e que é sua. Por isso caminhamos martiricamente, pois que ao carregarmos, tal qual Jesus uma
cruz, estamos em caminho, caminhando, sendo caminho. Mas como sermos caminho
sem que com isto assumamos o lugar daquele que é o caminho? No caminho há o
próprio espaço que chamamos de caminho e tudo aquilo que é acrescentado a este
e que facilita o trânsito. Tudo aquilo que está em caminho e que facilita o
trânsito é conformado como caminho. O caminho não se faz por si, como se uma
trilha se abrisse espontaneamente, antes, o caminho é aberto pro trilheiros que marcam a terra com sua presença em passagem,
e esta marcação memorial ao confundir caminho com caminhante marca o espaço
para outros que transitam. Assim o signo (o homem) e o significante (Cristo) conferem sentido conjuntamente. Então significante-signo
apontam sentido: caminhar enquanto carregam a cruz.
Mas de fato não se significa nada
quando se está em um caminho, mas apenas, e tão somente, dá-se sentido. Ora,
estar em caminho é deixar para traz significados e adotar um sentido. Não é a
marcação da terra feita por um chão batido sem flor que dá sentido ao caminho,
mas o sentido se dá quando se move num caminho sem trilha a qual reclama por um
caminhante. Enquanto o significado é a cristalização do significante no signo, ou
seja, o sulco de uma trilha trilhada por muitos, o caminho é movimento e como
tal deixa de buscar um estado final, em prol de um vir a ser perpétuo. Caminhar
é fluidez constante. A própria fluidez é o sentido do caminhar que não reclama
pelo sólido, mas por um constante deixar-de-ser e vir-a-ser. Caminhar
é um abandonar e um buscar. O sentido é o do movimento, sem que isto aponte
necessariamente para um padrão ou significado último. Assim, o caminho não é endereço, nem presente, nem futuro. Caminho exige tendas e
não lares. O caminho é o lugar onde se dá a caminhar. Neste lugar de trânsito
encontramos com transeuntes e marcamos a memória pela mútua hospitalidade.
De onde para onde? Esta questão pode nos dar pistas do sentido, o
qual é pista para caminhar. Dar sentido não é significar a existência, mas é
existir como valor, uma vez que abandonamos o vetor e a técnica, ou seja, a
rigidez formal e ideal, e deixamos de lado o significado existencial da
existência. O sentido fornecendo pistas não marca a rota. Desta maneira iríamos
da distância para a aproximação, isto é, do significante e significado, para significante-signo
que se movem num sentido. O sentido é de aproximação, esbarramento,
acolhimento e hospitalidade do outro e de si. Isto sugere um trânsito que,
podemos crer, é o de Cristo-Jesus, isto é, do Deus que
se esvazia e se torna homem para que o homem seja reconciliado com Deus. O
homem reconciliado com Deus está enamorado da possibilidade de reconciliação
universal. Em amor pela possibilidade reconciliatória provida pela fé, o
Caminho vem a ser um sair para fora do endereço certo
– o Deus que em sua auto-suficiência se torna co-dependente - e vem a ser um
ser enviado pelo caminho que se caminha – um Deus que toma a sua cruz.
Tal qual o Cristo esvaziado que
se deixa matar, o Caminho vem a ser uma eclésia
apostólica, um Corpo do Cristo que deixa seu próprio endereço de segurança e
auto-suficiência a fim de tomar sua cruz. Ora, Caminho, Igreja e Apostolado
devem ser desconstruído e re-edificado numa nova
possibilidade. Desconstruir os edifícios petrificados
e edificar um tenda, um tabernáculo
peregrínico. Sair de um Caminho vetorial e técnico
que informa significados constantes, sair de uma Igreja institucionalizada e
endereçada, sair de um Apostolado funcional cristalizado em suas hierarquias. Desconstruindo-os e reinventando o Caminho como Vida Verdadeira,
Igreja como Assembléia Ágape e Apostolado como Envio da Graça ao Mundo. Estes
três elementos não se dão em tribos e guetos, mas como trânsito, encontros, esbarramentos e acolhimento.
Para que caminhar? Se passarmos a crer que o Caminho é o espaço que
redunda, promove, implica, determina a aproximação hospitaleira entre os
desiguais (Deus e homem), isto é, encontro, e que apenas e tão somente por meio
deste se dá o esgotamento da distância entre o significante e o signo, então “caminhar
é preciso”, pois, viver é preciso. Caminhar é desconstruir
a Vida, a Igreja e o Apostolado, permitindo que pelo Espírito seja redesenhado,
re-edificado o Caminho, a Vida, a Igreja e o Apostolado como encontro, como
unidade e como envio. Encontro, unidade e envio de Deus com o homem, do homem
com o homem, do homem com seu próximo e do homem com a criação. Há certo
(utilizando uma palavra feia para a ortodoxia) holismo
no caminhar.
Caminhamos não para chegar, mas
para encontrar. Não retornamos ao Éden como se lá estivesse o lugar de nossa
habitação inicial e final; como se, enfim, pelo retorno da alma, houvesse o
encontro do homem com Deus. Não avançamos para o paraíso como se neste lugar
futuro viéssemos a encontrar como a perfeição perdida. Caminhamos pelo mesmo
esvaziamento da possibilidade de completude e deixamo-nos entregues aos
desafios da horizontalidade que se dão na “via crucis”,
encontrando com o outro que sofre. Encontramo-nos no mesmo caminho e
encontramos no caminho com o primeiro caminhante que levou a cruz. Caminhar é
encontrar com Deus que sofre e sofrer tal qual Deus que sofreu pelo outro.
Caminhamos para estarmos sempre indo ao encontro do outro que sofre.
Caminhamos, pois a Graça nos encontrou e pela Graça nos encontramos.
Não sofremos, como se com isso encontrássemos
nossa salvação. Em outras palavras, caminhar não é necessariamente sofrer e em
sofrer ser salvo e salvar. Mas, sofremos e nos alegramos, como quem encontra-se com a vida que é vida real, desafiante e
motivadora. Sofremos com o que sofre e nos alegramos com o que se alegra.
Naturalizamos e humanizamos, concomitantemente a
experiência de caminhar e encontrar.
Ao falar em Graça estaremos propondo pensarmos em outras coisas:
A Graça é o que desfaz a Lei! Lei
como discurso incontestável que rege as relações determinando o juízo inexorável
como veredicto. A Graça como justiça.
Graça é o que desfaz a Lei: A Lei como discurso é a razão como
determinante sobre o imperativo humano em objetivar as coisas, dizer o que é e
o que não é, o verdadeiro e o falso. A Lei como a
moral que tiraniza as relações. A razão como o que permite o sujeito conhecer,
apreender e julgar o que é bom e o que é mal. A Graça é o que diz à razão sobre
sua limitação diante do Amor de Deus. A razão é objetiva, segregadora,
sistemática, ordenadora, positiva; a Graça é Amorosa e como tal transcende a
razão, portanto, ultrapassa a objetivação, a ordenação, a positivação, a
segregação.
A Lei que assassina o justo,
tendo em vista sua própria integridade e a manutenção de seu poder de
julgamento. A Lei ao assassinar aquele que carrega a cruz, comete crime contra
si, sendo passível, pela estreiteza e solidez do texto, ser condenada ela mesma
à morte. A Lei condena-se à morte ao assassinar o justo que se entrega aos seus
ditames. A Graça, que se entrega para por fim à escravidão da Lei, desfaz a
própria Lei.
Graça é o que limita o veredicto: o veredicto é o que, por meio da
segregação pelos significados do texto da Lei, determina a separação daqueles
que são destinados à salvação e daqueles que são destinados à perdição eterna,
isto é, quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Quem é salvo e quem é
perdido. Quem é filho e quem é criatura. Neste sentido poderíamos propor que a
Graça é o que cancela o veredicto. O sentido da Graça é ajuntar o que estava
separado pela Lei e condicionar os que separam pela Lei. O veredicto da Graça é
o “vinde a mim”, enquanto o juízo da Lei é “apartai-vos”. A condição para os
que separam pela Lei é converterem-se ao ajuntamento pela Graça para promoverem
a re-união.
Jesus, embora dizendo ser o Caminho, andou por muitos caminhos: o caminho da
prostituta, da mulher casada, da virgem; do judeu, do samaritano, do grego e do
latino; do sacerdote, do militar, do ladrão, do doente, e de tantos outros
caminhos. Ora, o ser de Jesus não é o que aparta da sujidade e corrupção, mas
se dá no sentido do esbarramento acolhedor e
hospitaleiro que se enamora do outro. Em todos estes encontros a Graça
prevaleceu sobre o juízo. Ajuntando cancelou a separação.
Ao falar em “para todos” proponho pensarmos em inexorabilidade:
Todos estamos
em caminho, mas alguns creram no encontro com a Graça. A Graça como
universalidade, isto é, para todos, é crível, é crida e está para a fé. A fé em
Graça aguarda pelo encontro que se dá no Caminho, mas este aguarda que o que
caminha se encontre no Caminho. Então a Graça para todos se dá quando todos os
caminhos não limitem o Caminho a todos com o juízo, antes, sejam caminho para a
fé na Graça do Caminho. Ou seja, por meio do encontro do significante e do
signo num sentido de Graça no mundo é que a Graça encontra o
outro como hospitalidade. Caminho, encontro e Graça, inexoravelmente.
A condicionalidade
da Graça está no pormo-nos ao encontro hospitaleiro que se dá no Caminho. O
acolhimento do outro como outro que se ajuntam e se marcam como memória da
própria Graça Amorosa daquele que nos encontrou primeiro em nossa distância. A
Graça é o pré-destino de Cristo como entrecruzamento do divino com o humano, a
fim de encaminhar o entrecruzamento hospitaleiro do humano em outros encontros.
O pré-destinado que não levou em consideração as
diferenças, mas, desfazendo-se da tirania da Lei, ao levar a Cruz, re-unindo o
separado, pré-destina os que caminham por crerem na Graça ao testemunho do
ajuntamento.
O Caminho da Graça para todos, histórico:
Então, podemos pensar em quantos
encontros? De Deus com o homem. Do homem consigo. Do homem com o seu próximo.
Do homem com a criação. De Deus com a criação através do homem. O encontro no
caminho deve re-encantar o relacionamento por enamoramento.
Pelo fato de termos cruzado a palavra Caminho com a palavra encontro, então, entendemos
que toda ajuntamento deve buscar uma re-união. Re-união e entrecruzamento. Encontrar
não é ser e nem é estar, mas é deparar-se diante de e neste encanto do
deparar-se dá-se a reunião. A parada relativa de dois
caminhos que se entrecruzam em dois movimentos que se dão como que
estacionários em relação ao outro, sem, contudo, parar. Como encruzilhadas de
caminhos, como tangenciamentos, como marcações. A
passagem do deparar-se para o ser, ou para o estar não
é atributo histórico do homem do caminho, mas Graça do Caminho para o homem.
Então, cada reunião deve ser um encontro de caminhos, entrecruzamentos e tangenciamentos.
Sobretudo, estes encontros
deveriam propiciar a multiplicidade diante da Universalidade. A Graça Católica,
a Graça Universal, a Graça que abandonando os narcisismos, vai ao encontro do
que é diferente em belo na diferença, permitindo que a individualidade de cada
um no Caminho seja manifesta, como caminhar de cada um que porta sua própria e
individual cruz. A Graça se vê na Cruz e na cruz de cada um, encontra com a
Graça. A cruz de cada um, própria e individual, ao encontrar com a Graça e com
graça encontrar com o outro, torna as cruzes individuais universais. Portanto, entendemos
poder perceber que no texto de I Coríntios 13, 14 e
15 se nos apresenta um modelo eclesiástico de encontros históricos, isto é,
quando cada indivíduo encontrava um espaço de manifestação de seu encontro
pessoal com o Caminho Gracioso de Cristo e na Graça que esta no ajuntamento
re-unido. Reproduzir, como numa técnica de eterno retorno, a experiência da
Igreja em Corinto é abdicar de nossa possibilidade de encontro singular no
Caminho. O modelo, como residência de uma eclesiologia
padrão, caducou, mas o encontro da multiplicidade com a Universalidade é mantido fundada na Graça Amorosa.
Encontros: Caminho, Assembléia e Envio:
Cremos que no encontro de Deus
com o homem nada podemos falar e fazer, porquanto é Graça e esta limita o
juízo. Cremos, por premissa, que em todo encontro humano há uma possibilidade
da Graça e esta está em Deus, a partir do caminhar. Quer estejamos em oração
secreta ao Pai, cremos que Ele nos ouve. Caso estejamos reunidos em dois ou
três em nome de Jesus, cremos que Ele se faz presente. Cremos que a natureza
geme na expectativa da manifestação dos filhos de Deus. O Espírito de Cristo
caminha conosco como a rocha caminhava no deserto com Moisés e Israel.
Embora nada possamos falar sobre
o encontro de Deus conosco, podemos falar sobre nossos encontros, pensando nos
encontros do homem consigo, do homem com seu próximo e do homem com a natureza,
tendo em vista as inversões propostas aqui: encontro significado-signo como
Caminho, Igreja como assembléia e um ir primordial, um envio.
Cabe uma observação tardia:
escolhemos o termo assembléia para designar Igreja, para complementarmos a
idéia corrente, em apoio à tradução simplificada de Igreja como um “sair para fora”. Deixarmos aquele pensamento de um lugar de
socorro e retiro, mantido incólume e preservado, para o qual voltamos nestes
momentos de sair. A referência de uma Igreja da qual saímos para levarmos a luz
e retornarmos para obter mais óleo para as nossas lâmpadas, não nos parece
traduzir o sentido que podemos ter na Igreja como assembléia. Reunimo-nos como
assembléia, como encontros de caminhos que se cruzam, como uma anormalidade. A
assembléia é um hiato de nossas vidas, um passo distinto de um caminho. A
assembléia não é o caminho, a assembléia está no caminho. Pois a assembléia
traduz a tensão intrínseca do encontro. A assembléia promove o encontro de
indivíduos distintos e permite três movimentos: experiências positivas e
negativas obtidas fora da assembléia podem ser trazidas para dentro do
encontro; exposição destas experiências e compartilhamento de possibilidades
para fora do encontro; e, o sair para fora como
re-experimentação e vivência. Neste sentido há três encontros destes caminhos:
da experiência vital com o indivíduo, do indivíduo com o corpo em assembléia e
do corpo com as experiências individuais. A Igreja é este lugar de encontro e
re-encontro com os caminhos vitais.
O objetivo do encontro:
Há apenas um único objetivo no
encontro: que pela Graça haja entrecruzamentos de sentidos e que neste esbarramento, haver acolhimento manifestadamente como
Graça. Desta forma, não é o que fazer, mas porque fazer.
Possibilidade de encontros:
Podemos listar possibilidades de
encontros, cada qual com uma meta específica, mas, salientamos que o Grande
Problema das Instituições hoje é o Cronograma. Os crentes, hoje, estão tão
submetidos a um cronograma eclesiástico, o qual preenche todo espaço vazio, que
não há tempo para expor todo o conhecimento adquirido, no mundo, na vida. Haveremos
de esvaziar o cronograma e deixar espaço para estes indivíduos viverem:
família, lazer, trabalho, educação, interação com a criação, etc. Devemos
oferecer um momento de encontro da Igreja, mas este deve instigar,
auxiliar o envio e o encontro para fora. O encontro da Igreja deve ser para que
o indivíduo se encontre além da assembléia e lá ser o signo e meio de Graça.
Entendo historicamente as palavras de Paulo, “quer bebamos, quer comamos, quer
façamos qualquer outra coisa, façamos para a glória de Deus”, assim, as
assembléias devem ser um tempo e um espaço de encontro do indivíduo em inúmeros
encontros que participem da vida.
Assembléias: Quanto ao culto em si (é péssimo falar “em si”,
mas...), minha opinião é que deve estar muito próximo de uma assembléia. Deve
haver um tema central, introdutório, dirigido e conduzido por alguém, que
instigue participação. Os temas devem estar próximos do mundo real e conduzindo
uma reflexão histórica e pensando no como a Igreja deve participar deste
momento: política, ecologia, economia, religiosidade, família, consumismo,
sexo, cotas, exclusão social, etc. O cerne é o encontro do homem com um texto hermeneuticamente contextual e compartilhado por todos. O
pastor se torna um condutor do encontro e não um palestrante. Não apenas a
condução de alguém, como também as pessoas devem estar postas de forma a
reduzir a idéia de liderança e diferenciações (um círculo é o que melhor me
ocorre) e todos olhando para todos. Devemos saber que estamos num tempo de
declínio do logocentrismo (centralidade na palavra) e
que há formas eficazes de linguagens. Há novas linguagens como a música, o
teatro, a pintura, filmes, etc. Mas, o que creio ser uma demanda atual, é por
participação. A participação é quando me encontro com meu dom e com os outros e
seus dons.