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Pós-modernidade?

Para pensar a ‘pós-modernidade’ entendo que devamos pensar no que vem antes: a modernidade. É plausível aceitar que esta tenha seu início com o trabalho de Descartes e principalmente a sua máxima: “penso, logo existo”. Este movimento de Descartes, podemos dizer que, formaliza a crença num sujeito autônomo, aquele que pelo seu pensamento, dá-se conta de sua existência. Existir é, por exemplo, em Tomás de Aquino, “ex-isto”, ou seja, algo que vindo antes do “isto” faz o “isto” vir a ser, existir. As coisas, excetuando o Primeiro Princípio, não existem por um movimento próprio, autônomo, mas recebem a existência de outro ente. Contudo, a partir de Descartes a existência do sujeito pensante é autônoma e concomitante ao pensamento: penso-existo.

Antes de Descartes o conhecimento possível está quer nas idéias, quer nos entes. Em Tomás de Aquino a essência das coisas é conhecida a partir das coisas sensíveis e o intelecto a descobre. Para os neoplatonistas a essència das coisas não é conhecível a partir delas, mas o intelecto recebe a informação (informar é receber a forma de) da essência das coisas, a qual se encontra no mundo das Idéias. Já, a partir de Descartes, o sujeito é quem diz sobre o ser dos objetos. Antes o intelecto gravitava ao redor dos entes para conhecê-los, agora o sujeito é o centro e os objetos estão diante dele, como se gravitassem.

Antes de Descartes o conhecimento aproximava o homem de Deus, ou seja, o ‘animal racional’ pelo conhecimento do mundo aproxima-se do intelecto puro e do Ser. Isto é chamado de a ‘experiência mística’, o conhecimento absoluto, a cosmovisão. A Verdade está no Cosmos Ordenado cujo Princípio é Deus, o Ser. Como o homem é animal racional, ele está preso, limitado aos sentidos. Conhecer Deus é conhecê-lo ascendendo desde o mundo sensível até elevar-se ao conhecimento do que não se pode apreender pelos sentidos, pela necessidade de um motor que a tudo move, de Um Ser que traz à existência as essências.

Em Descartes a Verdade não está no Cosmos, mas no Sujeito. A Razão, ou o Logos, ou o Discurso do Sujeito Pensante é quem deve determinar a Verdade. A Verdade, por ser verdadeira elimina qualquer debate, discussão, e conduz à unicidade. A Razão, por meio de um Método (caminho correto) diante de uma idéia clara e distinta, chega à Verdade. Deus, agora, deve ser pensado pela Razão: há de existir (não mais com o significado dado por Aquino) algo que não seja causado por outra coisa qualquer: Deus existe. Ora, Deus existe para a Razão do Sujeito do Conhecimento.

A Modernidade se pauta por esta centralidade do Sujeito que pensa o Mundo. Nos trezentos anos que se seguem a Descartes, a discussão se dá segundo este giro, o qual coloca o homem na posição central. Com a intensão exemplificativa, podemos pontuar alguns acontecimentos, por nós interpretados, que se dão desde Lutero até Nietzsche.

Lutero, por volta de 1500, põe dúvida na Verdade que até então era exclusividade da Igreja. Lutero diz que há mentiras (ainda que não o faça explicitamente, está implícito em suas teses a presença de um discurso papal não verdadeiro) no discurso sobre as indulgências e que recebia a chancela papal. Ao questionar o Papa ele fragmenta a Verdade. No entanto, a questão que podemos levantar aqui é se há Verdade Fragmentada, isto é, se ao pôr dúvida na Verdade não se duvida da possibilidade da própria verdade.

Sabemos que questionar a possibilidade de verdade se faz por duas vias: primeiro pela via do ceticismo radical, isto é, acatar a crença verdadeira que não há verdade; segundo pensando que ainda que haja verdade, o discurso verdadeiro não é verificável e não é possível dizer quando se chegou a ela. Está nele também, em germe, a fragmentação do poder, ao subordinar-se aos príncipes e apoiar a divisão do poder entre Estado e Igreja. O movimento de Lutero faz retirar a tutela eclesiástica de sobre o poder laico. Assim o Estado laico passa existir ao lado ou acima da ordem religiosa, no caso a igreja luterana e as igrejas reformadas e protestantes.

Um terceiro fato ligado ao movimento de Lutero é a individualização da subjetividade, quando sustenta que o justo viverá pela fé. De um único golpe Lutero introduz a possibilidade da fragmentação da Verdade, a laicização do Estado e da individualidade, fundamental ao espírito do capitalismo que viria a se formar(como mais tarde escreveria Max Weber).

Copérnico retira a terra do centro do Universo e coloca-a como um planeta entre planetas. Ainda que não seja o primeiro a propor isto, a ele se dá crédito. A Terra e o Homem deixam de ser centrais e tornam-se periféricos, com o Sol ao centro. Isto não apenas move o conhecimento astronômico, como, sobretudo, enfraquece a possibilidade de uma cosmovisão do tipo pré-moderna e, portanto, de um conhecimento absoluto. Nesta cosmovisão pré-moderna o homem, animal racional, encontra-se na fronteira do mundo sensível e do mundo supra-sensível.

Galileu faz nas ciências o que Lutero fez na política, fragmenta o que até então era tido como conhecimento. Ele propõe a separação entre ciência e religião, ou seja, ciência e teologia. Até então conhecer era conhecer com a chacela e a tutela da religião. Mais do que isso, não havia possibilidade de um conhecimento sem um alinhamento com a fé. Em Santo Agostinho (400 d.C.) a fé impulsiona o conhecimento e este se inicia pela fé. Em Tomás de Aquino (1200 d.C.) o conhecimento está encadeado com uma teologia (discurso sobre Deus, pela premissa aristotélica). A cosmologia medieval e antiga é uma que implica num Motor Primeiro (o deus de Aristóteles) ou numa Idéia do Bem (o deus do Timeu de Platão). Também nos neoplatônicos encontramos no Uno, na Inteligência e na Alma do Mundo o princípio de irradiação para a ordenação do Mundo. Mas por volta de 1650 Galileu diz que a ciência e a religião determinam campos de conhecimentos distintos.

Cabe resaltar neste ponto que tanto Descartes, quanto Galileu pensam a partir de uma Metafísica do Sujeito. Há um ponto sobre o qual se pode conhecer a Verdade e esta é não apenas passível de conhecimento, como é una e imutável. O ceticismo é afastado pela presença de uma Metafísica do Sujeito do Conhecimento.

Para que possamos entender o que se passa a partir de Darwin, precisamos primeiro compreender que na Metafisica antiga e medieval o Ser É, isto quer dizer que o Ser é imutável e não está sujeito ao tempo e à corrupção. O Ser dá existência às essências. Para Tomás de Aquino, por exemplo, dizer  “o homem é um aninal racional” quer dizer que, independente do indivíduo (André, por exemplo), o ser do Homem é animal racional. Não este ou aquele, mas o Homem que foi, é e será animal racional a despeito de um homem determinado. A vida e a morte de um indivíduo não cancela a essência do Homem, que é ser um animal racional.

Além desta fixidez e atemporalidade do ser, cada ente, ou seja, cada coisa animada tem a sua existência. No microcosmos, desde o homem até o mais baixo nível dos seres animados, todos tem um essência imutável, invariável. Cada um destes entes com essência ocupam um lugar numa cadeia do ser, que em virtude da característica de fixidez e atemporalidade, ela é rigidamente estável. Como a cadeia do ser é atemporal, ela ou veio a ser num único momento, ou sempre é. A cadeia do ser é a representação da irradiação da Alma do Mundo nas coisas.

Neste sentido podemos pensar no encantamento do mundo e na possibilidade da magia. Os entes são animados, ou seja, têm uma alma e esta alma move os entes por ser movida por outros seres. Para os renascentistas, conhecer o alma das substâncias supra-sensíveis, as quais por seus movimentos movem as substâncias sensíveis, dava ao homem o poder mágico de conduzir ou mudar o movimento dos entes no mundo. O encantamento do mundo é a crença nestas almas que movem as coisas no mundo. Estamos aqui falando de aristotelismo e neoplatonismo, que foram siscretizados ao cristianismo medieval.

Quando Darwin diz que as espécies evoluem, ele está dizendo que o ser não é, ou, o ser é mutável e temporal. O ser está sujeito à mutação, portanto, o que é deixa de ser, ou seja, é e não é. Poderíamos dizer que o homem não é um animal racional, mas ele está como um animal racional em evolução. Darwin, de uma tacada só, desfaz a concepção da cadeia do ser que vêm desde o Uno, da Inteligência e da Alma, que irradiando pelo mundo, dá existência fixa e determinada à essência dos entes. Também desfaz a crença no homem como a imagem e semelhança de Deus. Toda a cosmovisão neoplatónica e aristotélica rui e com ela a ciência suportada pela religião. De outra forma poderíamos dizer que rui aquela concepção religiosa que está amalgamada numa determinada ciência antiga.

Darwin não está, como não estava também Copérnico e Galileu, atacando uma fé em Deus, mas estava criticando mortalmente as crenças medievais numa cosmovisão fundada na filosofia antiga. A ‘ciência’ medieval promovida pela cosmologia grega e pela interpretação da Bíblia foi aniquilada.

Hegel, outro Metafísico moderno, produz um filosofia na qual o pensamento se dá no tempo. Isto em linhas gerais quer dizer que a humanidade caminha inexoravelmente de um espírito menos desenvolvido para um mais desenvolvido. O espírito de uma época se apresenta como pensamentos. Há o que podemos chamar de uma meta-história. Uma História da história. Um determinante sobre a história que impõe um pensamento. Daí Marx desenvolve sua teoria da luta de classes.

Para ele as classes ricas e pobres digladiam dialeticamente. No medievo os senhores feudais (tese), confrontaram e foram confrontados pelos pobres (atítese), culminando na burguesia (síntese). Na modernidade os burgueses (tese) se confrontam com os trabalhadores (antítese) que irá culminar no socialismo (síntese), numa sociedade sem classes. A meta-história se desenrola sobre meta-narrativas, ou seja, Narrativas que explicam a História. A teoria marxista da luta de classes é uma Meta-Narrativa para a Meta-História desde as monarquias absolutas até uma sociedade sem classes sociais.

Enquanto estas disputas se dão no campo científico e filosófico, no campo econômico e social, em países como Alemanha, Holanda e Reino Unido, o Protestantismo Reformado que adveio de Lutero e Calvino fermenta e processa mudanças profundas. Baseado na individualidade, na ética do trabalho e na predestinação, o liberalismo, ou capitalismo muda o epicentro do debate político e social. A ética do trabalho, como nos fala Max Werber, promove a acumulação de capital, conduzindo indivíduos protestantes à riqueza. Como exemplo, em Locke (avô do liberalismo econômico) um cidadão é aquele que tem posses (terras, empresas ou capital), enquanto aqueles que vendem sua força de trabalho, não o são.

Encontramos em Nietzsche aquele pensador que diante de uma verdade fragmentada, de um Estado laico, do individualismo, da ciência autônoma, do homem colocado tanto na periferia do cosmos, mas como também sendo um animal como os demais cujo ser se esvai, ele diz: Deus Morreu. Ora, dizer Deus Morreu é discursar para fora da metafísica medieval, aristotélica e neoplatônica. Ir no âmago da Morte de Deus é ir até o cerne do abandono das certezas absolutas de qualquer metafísica. Isto implica na crítica ao sujeito do conhecimento, nas meta-narrativas, na meta-história e na verdade. O trabalho crítico iniciado por Lutero e Descartes que propiciou o abandono das verdades medievais que diziam respeito à ciência e a religião, mas que levou ao fundamento no Sujeito, agora vê-se criticado. A crítica de Nietzsche é a este fundamento último, quer chamemos de Deus, quer chamemos de Sujeito.

A crítica de Max Weber se dá pela via do desencantamento do mundo e da burocratização das relações no mundo. Este pensador percebe que a Alma do Mundo e sua presença nas coisas já não mais explica plausivelmente as causas nas coisas. Mais do que isto, ele percebe que as pessoas já não mais precisam da Grande Cadeia do Ser como fundamento de uma ciência. A ciência e as relações dos homens com a natureza já não se baseiam na presença da Alma do Mundo, assim, não há uma magia possível que movendo a alma, mova as coisas. A ciência procura conhecer as leis autônomas que atuam sobre os corpos e utiliza estas leis para produzir resultados benéficos ao homem.  Quando Issac Newton apresenta a Lei da Gravitação Universal, ele está dizendo que é uma Lei nos corpos que faz com que os planetas se movam ao redor do Sol e não um Motor Imóvel.

Também Max Weber percebe a crescente burocratização da vida pública: uma ordem racionalizada que pré-descreve ao indivíduo as operações que dele se experam para a produção de bem-estar comum. A burocracia baseia-se na divisão do trabalho até um núcleo no qual o indivíduo, pela repetição, tanto se habitua quanto reduz o erro e aumenta a produtividade.

Entramos no século XX com esta ante-visão da Morte de Deus, do desencantamento do  mundo e da burocratização. Heidegger, leitor de Nietzsche, pensa o século XX pelo viés da técnica, influenciando Marcuse e este a Habermas. A técnica como a ação humana de substituição do esforço humano sobre as coisas, visando, como diria Ortega & Gasset, a liberação do homem par realizar seu próprio bem-estar. Heidegger pensa que a técnica é esta vontade do poder do homem sobre as coisas, descobrindo nas coisas aquilo que ele pode estocar e usar. O século XX começa com esta percepção da liberdade autônoma do homem, pelo uso da técnica, como meio de realizar a promessa dos Iluministas: a felicidade e liberdade de todos. Esta promessa do Iluminismo estava fundada em uma Metafísica própria, em Meta-Narrativas fundadas em igualdade, liberdade e capacidade humana de realizá-las, e numa Meta-História, onde o Espírito Absoluto de realizaria quer pelo socialismo científico, quer pelo liberalismo econômico. Então vêm a primeira e a segunda guerras!

Então Heidegger escreve “A Caminho da Linguagem”, Horkheimer escreve “Eclipse da Razão” e Wittgenstein escreve “Investigações Filosóficas”, que criticam a crença no Sujeito do Conhecimento e na Razão (Adorno e Horkheimer) como fundamento último, e apresentam a linguagem (Heidegger) ou a fala (Wittgenstein) como lugar, ou espaço de comunicação. Temos o terreno fértil para a crítica pós-moderna.

Por volta de 1967 Jean-François Lyotard escreve “A Condição Pós-Moderna”, como crítica filosófica às Meta-Narrativas. Segundo ele não há nenhum grande discurso que conduza os homens. Antes, o que passa a conduzí-los à produção de verdade é o poder e este se vale de grande quantias de dinheiro. As verdades, agora, são produzidas pelo e para o poder. Michel Foucault, na “Metafísica do Poder” fala de algo similar, ou seja, que o poder nos obriga à produção de verdades. Não há mais um ideal subsistindo ao discurso, o qual visa o bem-estar, a felicidade, etc, do homem, mas uma demanda para garantir o funcionamento da máquina.

Jean Baudrillard, outro autor do século XX, discípulo de Adorno e Horkhaimer, e de Foucault, diz que estamos na era do ultrapassamento da modernidade. Não numa pós-modernidade, mas numa hiper-modernidade, mais moderno que a modernidade. As coisas não gravitam ao redor das pessoas; as pessoas não gravitam ao redor das coisas. Pessoas e coisas gravitam ao redor de nada, indefinidamente. Há uma ausência absoluta de absolutos. Ficamos no limite interno ou externo do niilismo, ou seja, do nada como crença.

O enfrentamento do niilismo se dá tão somente pela conversação!

Mafezzoli diz que a pós-modernidade é o sincretismo do antigo com o novo. É buscar inspiração no antigo e atualizá-lo. Pensaríamos, então, que a pós-modernidade possa ser pensada, por se abdicar dos absolutos, uma aceitação do outro, pelo diálogo, na medida da hospitalidade como tradução. É não apenas permitir-se ao diálogo, mas é ter o diálogo como recurso de convivência.

O cristianismo passa ser um discurso entre discursos. Temos agora o ateísmo, o cristianismo, o islamismo, o budismo, etc.; temos os heterosexuais, os homosexuais, os que não tem prazer sexual. E assim por diante.

Nesta perspectiva, a pós-modernidade não tem um discurso sobre a pobreza, a escravidão, doenças, fome, ou guerra, como projeto. O pensamento filosófico contemporâneo, pós-moderno ou não, não tem um discurso sobre estes temas pela simples premissa da falta de crença na possibilidade de uma meta-narrativa possível. O pensamento, que não mais iremos chamar de pós-moderno, mas de contemporâneo (pois nem todos os que estão neste debate são pós-modernos), pensa o diálogo e os jogos de linguagem como meio de, pelo debate, buscar melhores formas de convivência e com isso enfrentar os dilemas da vida neste planeta. Não desenvolve uma teoria, um discurso sobre, por exemplo, o feminismo, mas participa do debate em torno do problema de gênero e da busca de justiça.

Assim, ser uma igreja contemporânea, para mim, passa pela possibilidade de retomar à ecclésia. A Ecclésia era o lugar dos debates, do diálogo, da co-participação na fala, e não aquele endereço onde vamos cantar cinco músicas e ouvir um homem falar durante uma hora. Entendo que a Ecclésia deva se apresentar como uma arena, “agon”, permeável pelos contrários, pelo debate, pela multiplicidade, pela ruptura de fronteiras, pela amizade entre inimigos. Penso que na Ecclésia devemos colocar em questão a justiça, o compartilhamento, o suporte mútuo, etc. Imagino uma Ecclésia onde o Espírito que nos mova não seja o da prosperidade, da batalha espiritual, no crescimento numérico, das hierarquias apostólicas e das teologias e doutrinas, da espectativa da vida pós-morte. Mas, o Espírito do Emanuel, do Deus que veio até nós, daquele que ouve e fala entre leprosos, prostitutas, excluídos, marginais, etc. Não como vocação missionária, mas como Espírito que move cada um de uma maneira.

Penso numa Ecclésia em que as pessoas se reúnem não para aprenderem a ser santificados a fim de irem para o céu. Mas relacionamentos tais que, independente do que vier a ocorrer depois da morte (se algo ocorre ou não), vivo hoje como hospede hospedeiro. Minha conduta não é dirigida pela expectativa de um céu ou de um inferno, decidido por um Deus. Mas, minhas ações são relativas ao espaço e tempo presentes, e nos diálogos que mantenho com os meus próximos: o Logos se faz carne e habita entre nós.

Creio numa Ecclésia cuja mensagem não seja fundamentada por um texto morto e literalmente interpretado, visando a manutenção de tradições e certezas. Contudo, tenho fé como impossibilidade congnitiva absoluta a favor da historicidade finita da busca de arranjos mais justos e dignos no mundo. Uma fé que não garante minha pós-vida no céu, mas opera e coopera a favor da manifestação dos filhos de Deus no Mundo.

Entendo uma Ecclésia dialógica e tradutora, posta nas praças e em meio às experiências de vidas. Uma Ecclésia Pentecostal, em que cada qual se faz entender ao seu próximo, sem imputar-lhe o peso de suas próprias tradições. Uma Ecclésia que é novidade, contra a mesmice de um monolingüísmo exclusor. Uma Ecclésia que não é científica, historicista, mas ética e poética, relativa a seu espaço e tempo.