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Criou
Deus o homem à sua imagem e semelhança
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1 – O Método: Quando eu era criança brincava de castelo de
cartas de baralho. Para construí-los devia colocá-las verticalmente,
apoiadas em sua dimensão mais fina uma nas outras e umas sobre as outras.
Este apoio mútuo de cada carta conferia a beleza, a leveza e a fragilidade
de todo o edifício. Quando terminava de fazê-los, o que podia levar horas,
para coloca-los abaixo era simples, bastava retirar algumas poucas cartas
que estavam suportando a estrutura; ou, uma brisa ou um sopro os
derrubavam, o que podia levar frações de segundo. O castelo havia ruido,
mas as cartas estavam todas ali esparramadas.
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2 – O “nomos”, “cosmos” e finitude – Depois que achamos que
deixamos de ser crianças, passamos a nos divertir com castelos mais sérios. Quando lemos
alguns filósofos, teólogos, sociólogos como Platão, Agostinho, Tomás de
Aquino, Descartes, Espinosa, Kant, Marx, Peter Berger, ficamos com a impressão
que deve existir uma coisa chamada “ordem”. Neste tal mundo ordenado,
segundo a invenção destes homens, cada pensamento se funda e se apóia em
outro pensamento, e todos eles se baseiam num único pensamento mais
absoluto. É semelhante a uma pirâmide de ponta-cabeça. Passamos a vida inteira,
depois da meninice, na meninice tardia, erguendo tais mundos ordenados de
ponta-cabeça.
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3 – O Problema – Primeiro Deus fez Lúcifer e ele caiu! Depois
Deus criou Adão e ele pecou! Ou Deus cria sistematicamente coisas mau feitas e elas vêm a se desviar do objetivo
porque têm falha interna não previstas pelo artífice; ou Deus fez as coisas
bem-feitas e, portanto, já programadas para aquilo que chamamos de mal, o
que seria o mesmo que desresponsabilizar a criação e culpabilizar o
criador; ou Deus nem fez Lúcifer e nem criou Adão à semelhança de nossa
imaginação, e estar em pé ou cair é algo que deve ser revisto; ou está tudo
mau interpretado, mas é divertido pensar nestas coisas, enquanto nosso
organismo vai fazendo surgir radicais livres.
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4 – As premissas – A Bíblia foi escrita em línguas diferentes das
nossas. As palavras em cada língua têm sentido e expressam coisas
diferentes daqueles que estamos acostumados. Lemos a Bíblia em Português,
Espanhol, Inglês, Francês, Alemão, Chinês, Árabe, Hindu, etc., mas ela foi
escrita em Hebraico (Velho Testamento) e Grego (Novo Testamento), pelo
menos na maior parte das vezes.
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5 – Da Tradução – Entendo que traduzir é uma arte e não uma
técnica. Os softwares de tradução ainda não deram conta de conferir
qualidade em suas operações de passar de uma língua a outra, pois traduzir
não é como na matemática onde podemos pensar que x = 5. Em certos casos é
até possível dizer “table”=cadeira, contudo a complexidade exponencializa
quando estamos diante de uma frase, uma página, um capítulo, um livro, a
Bíblia.
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6 – Os Óculos – Somente as crianças, os desinformados e os mal-intencionados
podem dizer que um tradutor ao traduzir não imiscui suas crenças na
tradução, conferindo uma asceses divina em sua obra quando se trata da
Bíblia. Quando há a tradução, o tradutor senta na caneta do escritor. Na
escolha entre uma tradução literal (a mais próxima possível de um x=5, ou
um “doxa”=glória) e a tradução conceitual (onde se preserva o que o autor
quer dizer em detrimento da tradução palavra por palavra), já há uma
interferência daquele que traduz. Quando uma palavra em uma língua aponta
para diversos usos e sua tradução requer a escolha de um desses usos,
encontramo-nos, novamente com o tradutor dizendo o que o autor só disse em
parte. Principalmente quando não há notas de rodapé explicitando estas
dificuldades.
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7 – O que é a verdade? – Esta foi a pergunta de
Pilatos a Jesus. Qual língua usou Pilatos para fazer esta pergunta? Que
língua Jesus falava? Em que língua foi registrado este momento? Latim,
hebraico, grego? Em latim a palavra para verdade é “veritas”, a qual fala
da precisão de um relato sobre o que ocorreu. Assim, perguntar sobre a
verdade é pedir que se diga o que de fato, ou, realmente aconteceu. A “veritas”
nos faz pensar e falar sobre as coisas que já foram. No hebraico a palavra
para verdade é “emunah”, que requer daquele que fala a determinação de
cumprir com seus compromissos, de honrar suas promessas e em fazer num
tempo futuro aquilo que disse em algum tempo do passado ou presente. A
“emunah” nos aponta para o futuro, aquilo que há de ocorrer num tempo em
que se cumprirá. Em grego a palavra para verdade é “alethéia”, que, segundo
Aristóteles, é a correspondência entre o que é e o que se diz que é, e o
que não é e o que se diz que não é. A verdade grega é um tirar o véu de
sobre a coisa e mostrá-la como é, ou não é; ou como dizia Heidegger, um desvelamento.
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8 – Falamos o latim, mas pensamos como grego – A versão
da Bíblia a partir de Jerônimo e Agostinho passa a ser aquela que estava em
latim. Contudo ela foi traduzida e interpretada (coisas que podem ser
pensadas em sua proximidade) por alguém que usava uns óculos gregos. Mesmo
Agostinho que não era amigo do grego, pensava em grego usando palavras
latinas, por isso falava do Ser, do Eu Sou o que Sou. Parece-me que houve
um deslocamento nestas traduções, principalmente no Velho Testamento. Ele
foi escrito em hebraico, depois traduzido para o grego e posteriormente
para o latim (não necessariamente do grego para o latim). O texto
veterotestamentário foi soterrado por toneladas de tintas e pergaminhos
gregos. A “emunah” hebraica passou a ser “alethéia”, mesmo quando o que
estava escrito era “veritas”. Os compromissos com a humanidade
estabelecidos por Deus foram procurados como correspondência entre o dito e
o fato.
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9 – Um hebreu chamado Abraão – Os estóicos e os ulcerados
não gostarão do que vou falar, mas a Bíblia é um livro engraçado (deixo
este registro porque não creio que alguém vá ler isto aqui). No livro de
Gênesis diz que Deus falou para Abrão sair da sua terra e deixar seus
parentes e ir para um lugar que ele ainda iria dizer qual é. Depois de um
tempo ele chegou em tal lugar e teve um filho chamado Isaque. Aparentemente
Deus cumpriu, então, a promessa feita: “emunah”! Quando vamos para o Novo
Testamento, no livro, vejam só, de Hebreus, o autor diz que Abraão estando
na terra de Canaã ao lado de seu filho Isaque, pensou: este não é o filho
da promessa e esta não é a terra prometida. O divertido disto é pensar ou
que o autor do livro de Hebreus não tinha lido corretamente o Velho
Testamento, ou Abraão era um ingrato insaciável, na imagem e semelhança de
nossos apóstolos contemporâneos quando falam de dízimos e ofertas.
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10 – Abraão, um hebreu entre a “emunah” e a “alethéia” – A
coisa pode fazer sentido se pensarmos que Abraão pensava na “emunah” e não
conhecia a “alethéia”, pois ele nunca, que se tenha registrado, falou
grego. Nem mesmo sabemos se falou hebraico, mas o registro é nesta língua.
Portanto, o deparar-se com algo circunstancial não o satisfazia, pois ele
esperava pela promessa, que o autor de Hebreus chamou de fé. A “emunah” não
pode ser procurada na “alethéia” imediata, mas naquela que nos tenciona a
continuar caminhante, na fé.
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11 – A “emunah” que se traduz como “pistis” – Tanto
Paulo quanto o autor de Hebreus ao citarem o texto de Habacuque, “o justo
viverá pela ‘emunah’”, preferem traduzir aquilo que seria obediência,
compromisso, determinação, verdade, por fé. A fé é que, no Novo Testamento,
traz esta hipótese de algo a se cumprir, ainda que não vejamos os rastros
ou vestígios desta possibilidade no presente. A fé, como diz Paulo, não é o
que está à vista, mas aquilo que se espera, mesmo contra a esperança.
Assim, o justo viverá pela “pistis”.
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12 – A Bibis é una ou múltipla – Nós estamos sempre, para
levantar nossas Torres, procurando uma chave hermenêutica, uma mesma língua
e modo de falar, algo que dê ao texto uma unidade estrutural. Nos últimos
2.000 anos escolhemos o hebragreglatim, uma mistura complicada entre o
hebraico, o grego e o latim. Por exemplo: o tempo é hebreu – linear e
messiânico -, a verdade é grega – por correspondência – e a ordem é latina
– hierarquia cesarista. A aplicação desta chave ao texto deve ser uniforme
e constante, valendo sempre e em todo texto, desprezando o contexto, a
cultura, o escritor, a experiência e vivência histórica.
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13 – O hebreu é o que caminha – Um parêntesis: é possível traduzirmos
a palavra hebréia (não como x = 5) no sentido daquilo que aponta para
alguém que peregrina, caminha, cruza rios, ultrapassa fronteiras,
desconhece paradas, desfaz limites. Abraão era hebreu, portanto a terra
prometida e o filho herdeiro que correspondiam àquilo que estavam diante de
seus olhos, não podiam circunscrever os limites de sua esperança, de sua
fé, a qual estava por vir num tempo futuro.
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14 – Futuro e Messianismo – A idéia de futuro, como algo
que irá ocorrer mais afrente, somente existe na cultura Ocidental por conta
do profetismo hebreu. Para os gregos o tempo é circular, como o Sol que
gira em torno da Terra (eu não errei, pois é assim que criam ele naquele
tempo), revolucionariamente, garantindo o retorno constante das estações do
ano. Para os hebreus o tempo é linear e marcado pela presença histórica de
Deus, garantindo sua “emunah” e gerando nos homens uma espera pelo
“messias”. O futuro é o lugar em que a “emunah” se realizará com a
concretização de um Messias entre nós. Por isso que Abraão é hebreu, ele
está indo para o futuro, olhando para o cumprimento da promessa, não
parando naquilo que os olhos viram.
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15 – O Gênesis – O Gênesis foi escrito em hebraico, a língua em
que verdade é “emunah”, e esta não corresponde a nada que está no
imediatismo do tempo presente. Quando Esaú aceita um prato de lentilhas em
troca da primogenitura, ele está trocando uma promessa por um fato
presente: a “emunah” pelo desejo de saciar a fome.
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16 – Disse Deus... – Quando lemos o Gênesis hebreu pensando como um
grego, ainda que a leitura seja numa língua latina, imaginamos o Ser
pensando-se e a Inteligência inteligindo as coisas, conferindo existência
imediata ao ser destas coisas. A verdade deste Deus está em que ao dizer:
haja luz, a luz corresponda ao Lógos Tudo está no Ser e pelo Logos, a razão, a fala, o Verbo. Este tudo vem
imediatamente a realizar, a existir. Mas o Gênesis não foi escrito em grego
e nem por um grego. O dizer de Deus foi traduzido para uma língua humana,
demasiada humana, chamada língua hebraica, em que o dizer está organizado
pelo pensamento de uma “emunah”
messiânica e não de uma “alethéia” correspondentista.
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17 – ...façamos o homem à nossa imagem e semelhança –
Alguns comendo um prato de lentilhas enquanto empilham cartas em suas
Torres de Babel, olham para o homem imediatamente posterior ao dizer de
Deus e pensam em grego: este é aquele que é a imagem e semelhança de Deus.
O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus no sexto dia. Para estes
empilhadores de cartas, Deus está impresso e presente na humanidade a
partir de Adão e sua descendência: o homem é um animal racional. O Deus do
Antigo Testamento não se traduz plenamente em grego, imaginando segundo a
semelhança: “criou o homem = formou Adão”. Há de se olhar bem mais para a
frente, até que o Filho de Deus pise na Terra, quando estamos lendo o Velho
Testamento; até que a imagem de Deus seja realizada.
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18 – ...criou aadam... formou aadam – Aadam não é,
necessariamente, um nome de um personagem histórico que viveu num passado
remoto (ou para alguns numerólogos, há 6.000 anos) no que hoje damos o nome
de Iraque (entre o Tigre e o Eufrates). A palavra aadam tem em sua raiz etimológica
a palavra terra. Tanto o Adão criado, quanto o Adão formado tem uma forte
ligação com a Terra. O segundo veio do pó da terra e é natural, o primeiro
é espiritual (para pensarmos como Paulo ao escrever ao Coríntios). Como
levamos a imagem do natural, devemos levar o do espiritual. Uma imagem é
proveniente do passado e dos gêneses e outro é futuro e virá pela fé.
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19 – Contando versículos – Caso tenha um pouco de
paciência ou um software da Bíblia, ou mesmo uma chave bíblica, pesquise
quantas vezes as palavras “imagem” ou “semelhança” ocorreram no Velho e no
Novo Testamento referindo-se a algum homem na sua relação com Deus. Posso
adiantar que isto ocorre no Novo Testamento ao falar de Jesus, ou de nós em
relação a Cristo, mas no Velho Testamento somente ocorre no Gênesis nos
primeiros 5 capítulos se referindo a Adão como o homem que é criado para
vir a ser a imagem e semelhança de Deus.
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20 – Crianças, desinformadas e mal-intencionados – O
castelo de cada um é fundado naquele chão que escolheu colocá-lo. Alguns
escolheram fundar o castelo numa carta chamada Adão, outros numa carta
chamada Cristo e outros em outras cartas. Dizem que há quem não escolheu
nenhuma carta (estes eu não conheço e nunca ouvi dizer nada sobre eles). Se
você escolheu o primeiro Adão como sua carta angular sobre o qual se ergue
seu castelo, você tem que admitir que Deus faz coisas mal feitas, pois este
homem tinha uma falha interna, uma bomba relógio, a qual explodiu como
"pecado original", que poderíamos chamar de "pecado
genético", pois que está no gênese do homem. Se você escolheu o
segundo homem como sua pedra angular, sobre o qual ergue um edifício que
você mesmo é uma rocha viva, então acho que a “emunah” se cumpriu
parcialmente em Jesus, mas estamos convidados a transformar “emunah” em
“alethéia” no Corpo de Cristo.
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21 – Jesus o Cristo – Messias no hebraico, Ungido no português e
Cristo no grego. Estas palavras apontam para o mesmo sentido, a “emunah” de
Deus é alethéia” em Jesus. Assim os evangelistas puderam aproximar uma
tradução das palavras de Jesus: Eu sou a “alethéia”! A promessa do Gênesis,
da criação de aadam, corresponde apenas em Cristo, pois é Cristo que se faz
carne e habita entre nós. E este "habita entre nós" confere ao
Cristo sua presença humana e representação divina.
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22 – A história dos segundos – :
1ºa - Primeiro foi Adão...
2º - Primeiro foi Caim, depois veio Abel. Caim matou
Abel;
3º - Primeiro foi Ismael, depois veio Isaque. Ismael
perseguia Isaque;
4º - Primeiro foi Esaú, depois veio Jacó. Esau
desprezou a primogenitura;
5º - Primeiro foi Manasses, depois veio Efraim.
Israel inverteu a benção;
6º - Primeiro foi Eli, depois veio Samuel. Samuel
ungiu dois reis;
7º - Primeiro foi Saul, depois veio Davi. Saul tentou
matar Davi;
8º - Primeiro foi Absalão, depois veio Salomão.
Salomão herdou o reino;
1ºb - ...depois
veio Jesus. Adão desprezou, perseguiu e matou Jesus;
9º - Primeiro foi a Lei, depois se nos deu a Graça. A
lei persegue a Graça;
10º - Primeiro foi a obediência, depois se nos deu a
Fé. A obediência despreza a fé;
11º - Primeiro foi o Juízo, depois se nos deu o Amor.
O Juízo mata o Amor.
12º - Primeiro foi Israel, depois a Igreja veio a ser
fundada. Conforme está na epístola aos Gálatas.
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23 – Chega de macaquice – A Graça, a Fé e o Amor não
se fundam numa promessa de retorno do homem a um estado pré-queda, a um
lugar chamado Éden. A “emunah” de Deus não é transformar retornando o homem
à imagem de Adão, mas em semelhança do Cristo. O tempo não é cíclico como
para os pagãos, os gregos e romanos, o tempo é linear para os hebreus e os
cristãos herdaram esta concepção. O Tempo da “emunah” é futuro e
messiânico. Não somos crianças, desinformados ou mal-intencionados para
fingirmos dar crédito às idéias de uma correspondência imediata entre o
“disse Deus” e o “criou Deus”, e neste instante entre o nada e o estava lá,
havia um homem como num surgimento. O que importa é que em nossa
animalidade (e nesta a diferente que podemos pensar diante dos demais
animais é que nós nos destruímos e destruímos tudo ao redor, a despeito da
consciência de nossa afinidade e proveniência da Terra) podemos ter a
Esperança numa Fé Amorosa na Graça.
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24 – Somos daqueles que não olham para trás – Os
evangelhos e o livro de Hebreus dizem que o justo não é aquele que olha
para trás: para Adão, para a Lei. O justo é o que espera até que Cristo
seja formado nele. O justo é o que pela fé caminha para um futuro sem ter
em vista nada a não ser a esperança de um Cristo manifesto em si.
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25 – Prefiro estar só – Sei que as pessoas, e você deve ser uma delas,
preferem ficar com seus castelos de cartas marcadas em pé e dizer que tem
ao seu lado uma multidão que crê da mesma maneira, lê a mesma coisa e vê-se
como imagem e semelhança de Deus. Quem pensa estar em pé, cuide para que o
vento não o derrube! Este rebanho que mantém um castelo de ponta-cabeça e
se nega a retirar algumas cartas que o farão cair ao chão por completo
podem estar na iminência de ouvir o autor de Hebreus falar: tudo o que está
sólido há de ruir. Eu prefiro mudar de brincadeira e me divertir só jogando
bolinha de gude, do que mal acompanhado fingindo que aquilo tem algum
sentido para mim. Xô Adão!
Semelhança
1 – Nem olhos viram e nem ouvidos ouviram – Tal
qual a vida, a ciência, a filosofia, a teologia, não há conclusões. Os
desinformados procuram conclusões, sistemas bem ordenados, castelos bem
fundados. Os mal-intencionados oferecem respostas, ordem, modelos, métodos,
uma Torre bem construída. Mas eu fico, como disse Gonzaginha, com a
resposta das crianças: é a vida e é bonita!
Semelhança
2 – Maldito homem que sou...mas dou graças a Deus... – O
homem é isso aí. Olhe para o rei Davi, para Nabucodonosor, os Faraós, os
Ciros, os Alexandres, os Césares, os Papas, os Napoleões, Hitler, Stalin,
os Comandos Vermelhos, a fome, a distribuição de renda, a bomba atômica,
etc. O homem é isso aí: as vacinas, a arquitetura, Mde Curi, Einstein,
Beethoven, Kant, Agostinho, Aristóteles, Paulo, Madalena, Maria, etc.
Nenhum deles e nenhuma obra destes tem a ver com a imagem e semelhança de
Deus expressa como “emunah”. Penso que Deus não criou mau um Adão que
escolheu o mal, nem o criou mal para trilhar um mau caminho. Isto ou aquilo
para depois vir salvá-lo dEle mesmo. Penso que Adão possa ser o animal
humano que tomando a consciência para as escolhas, decidiu manter seu
ventre ligado à terra e nesta escolha apoderou-se do mundo, tiranizando-o. Os
gêneses da consciência humana, daquele que é convidado por Deus a participar
de uma parceria para a criação do homem à imagem e semelhança do divino.
Semelhança
3 – Que venham os macacos – Prefiro ser parente de um
macaco, de um peixe, de uma ameba, e sentir-me parte de um todo que é amado
de Deus, não como espécie, mas como inter-relacionado e interdependente, do
que achar-me superior e destruir tudo, submetendo, o que Deus disse que era
bom ao meu narcisismo extravagante. Prefiro crer que Deus ao se tronar
homem veio resgatar toda a criação, a qual geme na expectativa da revelação
dos filhos de Deus, propondo uma
nova Terra, do que pensar que vou para o céu e que tudo mais vá pro inferno
(como já disse Roberto Carlos). Deixem os cientistas se divertirem enquanto
nós tratamos dos feridos por suas obras, quer bicho, quer flor, quer mundo.
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