Ao
Deus Desconhecível
Eu queria fazer uma poesia
Eu queria caminhar sem caminhos
Eu queria voar como um passarinho
Eu queria dançar sem harmonias
Eu queria desvirtuar as palavras
Eu queria desencaminhar as razões
Eu queria desconstruir as doutrinas
Eu queria destruir as certezas
Eu queria fazer uma canção
Eu queria tocar em alguém
Eu queria que fosse como você
Eu queria me emocionar
Eu queria olhar como um velho
Eu queria ver detalhes novos
Eu queria contemplar minúcias
Eu queria ser míope e somente olhar o perto
Eu queria me encantar com a corredeira
Eu queria os pés no chão
Eu queria amassar o trigo do pão
Eu queria ir daqui até ali
Eu queria ter a fé do cego
Eu queria crer com dúvidas
Eu queria interrogar os livros
Eu queria convidar a criança
Eu queria ouvir você
Eu queria descer da árvore
Eu queria abrir a porta
Eu queria comer contigo
Eu queria não saber quem és
Eu queria não esperar por nada
Eu queria encontrar-lhe lá
Eu queria não induzir daí
Eu queria saber escrever
Eu queria falar inglês, francês, alemão
Eu queria ler grego, latim e hebraico
Eu queria compreender o que diz
Eu queria a voz da infância
Eu queria a palavra muda
Eu queria secar o pensamento
Eu queria encostar no silêncio