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Parece-me ser igual dos deuses
aquele homem que, à tua
frente
sentado, tua voz
deliciosa, de perto,
escuta, inclinando o
rosto,
e teu rosto luminoso
que acorda desejos – ah! eu juro,
o coração no peito
estremece de pavor,
no instante em que te
vejo: dizer não posso mais
uma só palavra
a língua se
dilacera;
escorre-me sob a pele uma
chama furtiva;
os olhos não vêem, os
ouvidos
zumbem;
um frio suor me
recobre, um frêmito do corpo
se apodera, mais
verde do que as ervas eu fico;
que estou a um passo
da morte,
parece [
Mas [
(Safo de Lesbos; Poemas e Fragmentos; São Paulo: Iluminuras, 2003,
pg. 21)